A História de Stephen Hawking

HawkingHawking (2004 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Na corrida para o próximo Oscar, um dos filmes mais recomendados trata da cienbiografia do físico Stephen Hawking. Menos conhecido é este telefilme, didático ao extremo cuja direção ficou a cargo de Philip Martin. Marca também um dos primeiros trabalhos de Benedict Cumberbatch como protagonista, muito antes de ser aclamado como Sherlock.

O filme realiza um pequeno recorte na vida de do estudante de Cambridge, enquanto, aos 21 anos, a esclerose lateral amiotrófica atinge rapidamente a capacidade motora de Hawking, ele trabalha incessantemente em seus estudos. O roteiro tenta apenas dar cabo de seu grande feito (confirmar a Teoria da Relatividade) e de seu relacionamento com sua futura esposa (Lisa Dillon). É pobre em todos os lados, restando apenas a Cumberbatch os trejeitos físicos da doença enquanto a figura do jovem problemático, e genial, se solidifica frente ao público. Vale como curiosidade, pelo início do ator, pela figura de Hawking, cinematograficamente é uma negação.

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

jogosvorazes3aesperancaThe Hunger Games: Mockinjay – Part 1 (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O terceiro capítulo da saga começa decapitando a atmosfera envolvente do filme anterior. Aquele era o grande momento da série, o mundo dos reality shows convergendo na ascenção da luta de classe, o povo clamando contra as injustiças e tendo sua líder como fonte de inspiração. O novo filme (cujo livro foi dividido em 2 partes) já traz a nova configuração política: guerra civil. Surge um aparelhamento bélico imenso por parte dos revolucionários, uma presidente tirana (Julianne Moore), traidores do governo do presidente Snow (Donald Sutherland), as cartas jogadas à mesa.

Não há história que sustente as 2 horas de explosões e dramalhões vividos por Katniss (Jennifer Lawrence). O pano de fundo é o poder manipulador da propaganda, de um lado ela, de outro Peeta (John Hutcherson), sequestrado e usado como vitrine para a propaganda do governo. Entre eles, a vulgaridade do filme-frankestein que precisa se tornar independente, quando é apenas parte de um todo, que se tornou apenas um pedaço torto de bolo e deveria alimentar uma família. O roteiro tenta engatar a premissa da tirania entre os dois lados, de uma heroína movida por seus ideais e laços afetivos, fica mesmo com o desengonçado, lento demais de sua hora inicial, e explosões demais no restante.

Smoking / No Smoking

smokingSmoking / No Smoking (1993 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Da mera decisão de fumar, ou não, um cigarro, surgem dois filmes e tantas inúmeras possibilidades a partir das escolhas de cada personagem. Primeira adaptação de Alain Resnais de uma peça teatral de Alan Ayckbourn, com contribuição no roteiro do casal Agnès Jaoui e Jen-Pierre Bacri, os filmes brinca com o “e se”, sempre retomando de algum ponto da história com uma nova escolha de algum dos personagens.

Cenários artificiais e que se repetem o tempo todo, apenas depois atores contracenando. Sabine Azéma interpreta os femininos, enquanto Pierre Arditi os masculinos. Surgem triângulos amorosos e os mais diversos finais (felizes ou tristes) através de escolhas triviais ou não. É delicioso como de uma brincadeira possam surgir tantas maneiras de interpretar comportamentos cotidianos e o quanto os personagens podem crescer dentro dessa dinâmica, afinal, mudam as esolhas e os rumos, jamais as características de cada um.

Em Smoking o cigarro está presente integralmente, o tom é mais dramático. Em No Smoking os cigarros ficam de lado, o aspecto romântico é privilegiado. Todas as histórias partem de seu ponto de partida para depois serem enxergadas 5 semanas adiante, e depois mais 5 anos. Os desfechos ocorrem na Igreja, sob velórios, casamentos, visita ao cemitério, ou aniversário de 50 anos do colégio, não importa a ocasião, um casal de personagens se reencontra, até que a história volte ao passado e permita uma nova variação capaz de brincar com o destino de todos.

Saint Laurent

saint-laurentSaint Laurent (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É exatamente o que se poderia esperar de Bertrand Bonello, o cineasta francês, que tanto carrega o sexo como temática, mergulha nos anos mais agudos de vida de Yves Saint Laurent (Gaspard Ulliel), de 1967-1976. Não se aproximada da biografia quadradinha, que cobre os fatos de uma vida. Seu filme carrega a sensibilidade de tentar traduzir um pouco do gênio silencioso, vaidoso, tímido, e desenfreado por viver seus prazeres.

Nada melhor que transcorrer essa década, absorver a atmosfera do estilista feito, a relação com Berge (Jeremier Renier), as orgias, as fraquezas, o consumo desenfreado de drogas, as festas, o caso com Jacques (Louis Garrel) – grande responsável por Saint Laurent descobrir o lado mais “obscuro” de sua vida. E também as coleções, capturar pequenos detalhes da arte da custura.

Os últimos anos de vida surgem num salto cronológico, são cenas melancólicas, a tristeza do afastamento dos holofotes, a solidão. É a decadência social, pesada como a mobília dos luxuosos aposentos. É um filme para o público francês, ou para os que conhecem bem a figura de YSL. Mas, também, um filme que possibilita uma abordagem mais lúdica, evfervescente, que parte em busca da essência do biografado. Bonello e sua sofisticação traduz momentos em pura atmosfera, o sexo nem é tão escandaloso assim, está mais insinuado que efetivo, mesmo assim é uma arma poderosa em suas mãos.

Cena-chave quando Jacques conhece Saint Laurent, numa balada, um longo plano-sequencia em travelling lateral, capta o olhar de Jacques, a câmera atravessa a pista de dança até encontrar Saint Laurent no outro extremo, e vai, e volta, o olhar malicioso, a música tomando a pista, as pessoas dançando, vejo aqui o perfeito resumo do que é Bonello refletindo Saint Laurent.

Interestelar

InterestelarInterstellar (2014 – EUA)  estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Chistopher Nolan não se conteve com dominar Gothan City, ou penetrar nos sonhos e mudar completamente as vidas dos que dormiam, o diretor precisava de mais, o planeta já não era o bastante para sua mente megalomaníaca (palavras de quem gosta de seus filmes, e muito em muitos deles). Nolan partiu para o espaço, a salvação da humanidade em outra galáxia, vamos abandonar a Terra (esgotada) e transferir a humanidade para outra localidade.

Vejo uma mensagem clara em sua Ficção Científica, ele mira em 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, mas o máximo que ele consegue atingir é um episódio, bem longo, e caro, de Doctor Who. A questão verossímel da história, o excesso de explicações para o público médio que só compra o que entende, nem me parecem o maior dos problemas. O filme é fraca dramaturgicamente, começando por como o fazendeiro (Matthew McConaughey) volta a sua vida de astronauta, passando por todo o drama de deixar a família pelo “bem da humanidade”, os ensinamentos de livros de autoajuda do cientista da Nasa. Resumo, o bolo é esburacado, deformado, q beleza gráfica apenas repete Gravidade, mas já perdeu o sabor de novidade.

Dessa forma, essa gigante nave espacial orbita pelos cinemas de forma meio desajeitada, nem tão ruim quanto parecem, porém incapaz de se movimentar, e escapar, da própria teia que o roteiro usa para aprisionar seu público. Tentar emplacar Anne Hathaway no Oscar é quase uma piada de mau gosto, Nolan parece incapaz de domar sua própria ideia, de tão grande que ela se tornou. Depois do espaço, quais as fronteiras que poderão contê-lo?

Tim Maia

Tim-MaiaTim Maia (2014) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O cinema nacional segue empilhando grandes personagens desperdiçados em cinebiografias que não vão além do “jogar para a galera”. É a opção pelo caminhao fácil, muita preocupação estética com figurinos, locações, em retratar épocas, e esquecer da essência de seus personagens e cinebiografados. Tim Maia era folclórico, portanto o humor devia mesmo estar impregnado pelo filme, mas não se tornar a única mola propulsora capaz de conduzir sua história, mas é assim que Mauro Lima narra a história do cantor.

Não faltam caricaturas de personagens importantes (como Roberto e Erasmo Carlos), nem pequenos “causos” da vida de Tim Maia. Até mesmo os mesmos mais agudos dramaticamente estão cercados pelo humor irreverente de Tim, mas dentro de toda essa preocupação em encher o público com amizades, amores, brigas e vida mundana, onde está o explosivo Tim Maia das canções, das relações pessoais? Não estava no musical que fez sucesso no teatro, e muito menos no cinema. De tão inofensivo, nem incomodar o filme consegue, fica nas atuações corretas de ambos atores que o interpretam, no humor esticado, e no padrão Globo Filmes de vender tv na telona.

Quero Ir para Casa

wanttogohomeI Want to Go Home (1989 – FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Alain Resnais sempre tentando incorporar outros tipos de arte aos seus trabalhos. Não basta ter um cartunista como protagonista, Resnais traz um pouco desse mundo para dentro de seu filme, personagens animados, pequenas colagens, um eterno renovador.

Pena que seja seu filme mais desengonçado. A eterna piada das diferenças entre as culturas americana e francesa, sempre naquele tom debochado, de quem acha estranho, e pode se encantar, ou não, mas que confere um tom de quase humor físico. Festas à fantasia, franceses pouco delicados com o visitante (que é convidado de honra), infidelidade desenfreada, filha fugindo do pai, nada muito excepcional. Falta mesmo acertar o tom da comédia, que flerta até com Fellini, e passa longe do charme costumeiro com que Resnais nos conduzia em seus filmes anteriores.