Magnólia

magnoliaMagnolia (1999 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Angustiante! Sensação de assistir minha primeira obra-prima do cinema moderno, um daqueles filmes que devo revisitar dezenas de vezes ao longo da vida (até porque, de tão complexo e multi-temas, o peso da idade deverá trazer novas experiências e percepções). Terceiro filme de Paul Thomas-Anderson, o segundo com esse formato de filme-moisaco, onde a narrativa tenta acompanhar, simultaneamente, tantos personagens, tantos acontecimentos, e criar algum tipo de vinculo entre eles.

A inspiração de P. T. Anderson veio das canções de Aime Mann, isso é tão subjetivo, abstrato, parece ter sido uma faísca de uma ideia que cresceu, e solidificou. O filme abre com um prólogo que, num primeiro momento, não parece ter relação nenhuma com aquelas histórias, O prólogo em resumo diz que coisas-estranhas-acontecem. Tem inicio a apresentação de personagens, e são muitos, e eles se entrecruzam e suas relações sociais criam a rede central dos arredores dessa rua chamada Magnolia, em Los Angeles.

Casamentos e traições, mágoas familiares, incesto, doenças terminais, homossexualismo, drogas, solidão, amor, os temas se sobrepõem. O desenvolvimento dessas pequenas histórias humanas se intensifica, os dramas tornam-se cada vez mais pesados, angustiantes, quanto mais os pormenores daquelas vidas se aproximam de nós, mais desesperadoras se tornam, o limite. P. T. Anderson espalha simbolismos que requerem meticulosa atenção aos detalhes, como os números 8 e 2 que aparecem perdidos durante o filme, uma menção à bíblia, e fatos inexplicáveis que colocam o filme em conexão com o prólogo do início.  Êxodo da Bíblia 8,2: “Se recusas, infestarei de rãs todo o teu território”.

E enquanto o cineasta criava essa legião de personagens e intricadas relações, há ainda espaço para ele seguir com seu estilo, desde a trilha sonora com presença inegável (o plano-sequencia no bar, ao som de Supertramp é coisa de louco), passando pelos planos-fechados nos rostos tensos, nos longos planos-sequencia em movimento que captam a urgência de personagens e o mundo à sua volta. Além disso, alguns atores em momentos de extravagância de seus talentos. Tom Cruise e seu energético instrutor de sexo, Julianne Moore em duas cenas (na farmácia e com o advogado) de alta dose dramática que podem deixar qualquer um em prantos. P. T. Anderson mostra diversas facetas da fragilidade e perturbação humana, de vidas repletas de amargura, de dramas que vão desde a ambição ao mau-caratismo. E quando o limite de todos é elevado a enésima potência, um toque bíblico para trazer a ordem, a esperança, ou pelo menos nos fazer respirar. Uma obra-prima!

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