Cidade de Deus

cidadededeusCidade de Deus (2002) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

A realidade brasileira expressa de forma crua, e conquistando o mundo tanto pelo impacto imediato, quanto por destaques técnicos que o cinema nacional normalmente não primava em tamanha excelência. Baseado em fatos reais retirados do livro de Paulo Lins, o filme conta parte da história do tráfico no país (com foco no Rio de Janeiro), o controle das favelas, a lei do silêncio. É assustador ver a vida cotidiana dos moradores, crianças que pegam em armas e cometem crimes, tiram vidas, assim tão pequenas. Talvez nunca mostrou-se de maneira tão transparente o controle exercido por essas gangues. Às vezes fechamos os olhos para não vermos a realidade em que vive grande parte da população brasileira.

Cidade de Deus foi uma solução do governo para alocar a população sem moradias que formava favelas nos principais bairros do Rio de Janeiro na década de sessenta. As pessoas eram jogadas lá, em pequenas casas sem luz e nem saneamento básico, em ruas não pavimentadas e sem nenhuma infra-estrutura. O filme pega emprestada a ótica de Buscapé (Alexandre Rodrigues), um garoto que sonhava em ser fotógrafo, e não se meter com a bandidagem. É sob a narração de Buscapé, subdivididos em capítulos, que conhecemos algumas figuras que fizeram história em Cidade de Deus, e mais principalmente a formação da gangue de Zé Pequeno (Leandro Firmino da Hora), partindo de seus primeiros furtos, ainda muito garoto, até o controle total da favela.  Zé Pequeno era desses bandidos que não tem medo de nada, começou a matar desde garoto e logo controlou o tráfico em quase toda a favela

Palmas para o diretor Fernando Meirelles, que se debruçou no projeto com uma equipe que vem fazer história no cinema brasileiro (como Kátia Lund na direção de atores, além de montagem e fotografia impressionantes). A coragem de utilizar como atores os próprios moradores, o formato criativo e cheio de inovações, a forma de trazer os flashback’s. Dos rostos desconhecidos, Leandro Firmino da Hora e Douglas Silva dão show na pele de um mesmo personagem, em épocas diferentes.

Há momentos que não são fáceis de engolir, ver crianças tão pequenas com uma arma na mão lutando como numa guerra chega a ser assustador. Mas é a nossa realidade, nada no filme foge da terrível realidade em que vivem todos os moradores das favelas do país. Enquanto algo não mudar o filme não passará a ser apenas uma história, continuará sendo retrato da injusta sociedade brasileira. Assistir Cidade de Deus, e ver como ele anda fazendo bonito no exterior, tem o misto de orgulho de um filme brasileiro como vedete, e também a constatação da frustrante realidade que nos encontramos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s