A Intrusa

aintrusaLa Balia (1999 – ITA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A Itália no início do século XX andava inquieta, os socialistas tomam as ruas em passeatas com suas grandes bandeiras vermelhas. O médico e professor aristocrata Mori (Fabrizio Bentivoglio) trabalha numa clínica de doentes psiquiátricos e leva uma vida artificialmente feliz com sua esposa, até que ela fica grávida. Ela não demonstra nenhuma satisfação em tornar-se mãe, e desde o parto não se força nenhum pouco por seu filho, o bebê acaba rejeitando o leite materno talvez sentindo essa rejeição. Sem outra opção, Mori procura uma ama-de-leite, entre as esposas dos presos políticos que estão sendo deportados. Annetta (Maya Sansa) é escolhida e acaba obrigada a deixar seu filho, recém-nascido, para morar nesta casa.

Um forte sentimento de ciúmes toma conta de Vittoria Mori (Valeria Bruni Tedeschi) ao ver seu filho sendo tratado, com muito afeto, por Anetta, e aceitando seu peito imediatamente. Essa situação criada por Vittoria toma dimensões incontroláveis, cada vez mais sente-se trocada, já que as atenções da casa são direcionadas para o bebê e sua ama-de-leite. O marido assiste pacato e acredita que com um pouco de tempo tudo se resolve, mas essa mulher mimada não consegue viver ofuscada e a crise conjugal é inevitável.

De um lado temos uma crítica a sociedade tal como foi formada nos primórdios do século, a dama paparicada por seus empregados é colocada para escanteio com a simples chegada de uma mulher simples e analfabeta. Levemente também tocamos no assunto da liberdade, na presença do médico insatisfeito e apaixonado pela paciente, ou mesmo em Anetta e seu amor pelo marido preso, desejando escrever-lhe uma carta de amor.

Marco Bellocchio dirige de maneira sutil, como uma narrativa lenta e correta, e algum exagerado prolongamento em cenas desnecessárias. Pela falta de objetividade do roteiro, nada nos faz vibrar, penetrar na história, talvez o erro esteja na eterna tranqüilidade de Fabrizio Bemtivoglio, onde seu personagem aceita tudo de maneira tão simples. Faltam momentos contundentes, uma escolha mais direta no que exatamente priorizar, não faltavam argumentos para se utilizar no filme. São crises conjugais, ciúmes e a sensação de ser dispensável para seu próprio filho recém-nascido que deve ser a relação mais próxima que alguém pode viver neste mundo. Baseado no livro de Luigi Pirandello.

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Um comentário sobre “A Intrusa

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