Amanhecer – 28ª Mostra SP

Publicado: outubro 28, 2004 em Cinema, Mostra SP
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Não deu nem tempo de tomar uma água, a fila para a próxima sessão já estava enorme, casa cheia. Colocaram umas cadeiras de plástico nas escadas para aumentar a lotação da Sala Cinemateca e quase todas foram ocupadas. Sentei na última fileira e a umas cinco poltronas à esquerda sentou-se uma garota de estilo “moderninho”. A sala foi enchendo e ela acabou ficando entre duas poltronas vazias, um casal perguntou se as poltronas estavam desocupadas, ela virou a cara. Depois respondeu baixinho, virou a cara de novo, desconversou.

Depois de alguma insistencia do casal, um senhor que estava sentado mais perto tornou-se tradutor da situação e explicou que os dois lugares estavam vazios só que teriam que sentar separados porque a garota queria ver o filme bem no meio da sala (pode?). Todos caíram na gargalhada, a garota virou a cara novamente e o casal topou, ainda ficaram trocando balas e outros artigos bem na fuça da fresquinha até o filme começar (tem louco p/ tudo nesse mundo).

Amanhecer (Om Jag Vänder Mig/Daybreak, 2003 – SUE) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Os problemas são diferentes, mas na essência é o mesmo abismo a contaminar as relações familiares, a fragilidade dos lares da vida moderna. Partindo deste “forte” argumento o diretor Björn Runge narra três histórias emblemáticas, numa única e determinante noite.

Densa carga dramática, clima agonizante, os três núcleos caminham lentamente para uma noite terrível, verdades e carapuças desmascaradas. O mosaico das relações está alicerçado ao tema família, a estrutura oprime o competente elenco, buscando repetidas vezes o conflito moral, a mais introspectivas das representações, a troca de ofensas e agonias. São médicos, pedreiros, histórias de traições, separações conturbadas, carências afetivas, pessoas comuns e os erros de sempre, e o que restar deles até o amanhecer de amanha.

O esfacelamento familiar vem desmoronando com as novas estruturas do mundo moderno nessa busca incessante por desejos materiais, por status social. Enquanto as coisas do dia-a-dia, aquelas pequenas situações que formam realmente o seu cotidiano são sufocadas, colocadas em segundo plano, costurando pessoas, cada vez, mais corrompidas.

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