Old Boy – 28ª Mostra SP

Publicado: novembro 8, 2004 em 5 Estrelas, Cinema, Mostra SP
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Outra característica interessante da Mostra é a vinda aos cinemas de grupos étnicos e gringos que estejam em São Paulo. Enquanto esperava até a sala ser liberada, um norte-americano (aparentemente) olhava atentamente aos cartazes das paredes, depois da sessão um grupo de coreanos discutia algo em sua língua natal, isso num cinema de shopping da zona sul. Essa pluralidade de culturas, de idiomas, só poderia ser encontrado num evento desse porte.

Dessa vez um cara sentou ao meu lado e puxou papo, sempre é gostoso ouvir sobre os outros e outros filmes, sobre as histórias para conseguir ingressos, do frio que passou na sessão no MASP, além de comentar os mais interessantes. Melhor ainda encontrar alguém que talvez voce nunca mais encontre e não é desses bitolados, que trabalha como gente normal e aproveita o tempo livre para fazer o que gosta: ir ao cinema. Achei ótimo ter trocado esses cinco minutos de prosa já que do outro lado estava ouvindo três adolescentes falando da vida em comentários do tipo: “O quê!! Fale com Ela não tem traços gays, então não é Almodovar.”, ou “Esse novo filme dele (Má Educação) foi feito para Hollywood, para ele ficar mais famoso nos EUA”.

Porém, o que de mais interessante a cena guardava seria a reação do público, nos momentos finais todo mundo queria soltar um comentário, e na cena crucial foi possível ouvir um surpreendente coro: “É foda”. Além de um movimento levemente para frente, como quem quer chegar mais perto da tela para saber mais rapidamente como tudo vai acabar.

Old Boy (OldBoy, 2003 – COR) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Oh Dae-su (Choi Min-sik) passou anos sequestrado sofrendo as mais variadas torturas, nunca soube os motivos de atos tão barbáries contra si, e em nenhum momento obteve pistas de quem estaria por trás do sequestro. Sem nenhuma informação de sua filha, o único contato que mantinha com o mundo era feito pela TV.

Foi via noticiário que, não só acompanhou momentos históricos como a morte da princesa Diana, o encontro dos líderes das duas Coréias e a queda das Torres Gêmeas, como também o assassinato de sua esposa e as contundentes provas que o tornavam principal suspeito do crime. Encarcerado, vida completamente destruída dentro e fora do cativeiro, o desejo de vingança torna-se essencial combustível para que se mantenha vivo por todo esse tempo.

oldboy2

Capítulo do meio da Trilogia da Vingança do diretor Park Chan-Wook, o filme mostra força em se tornar cult com seu roteiro minuciosamente idealizado e o estilo cool e despojado com que o cineasta cria imagens. A luta com martelo, o cara preso pela gravata, o polvo, e os fabulosos vinte minutos finais cheios de reviravoltas e uma trama que se prova inimaginável e alucinante fazem com que o público atônito se segure nas poltronas.

Filme vibrante, carregado desse desejo vingativo e cenas que se misturam entre a violência e leve humor sarcástico. Muito mais do que um prato a ser deliciado pelas beiradas, Park Chan-Wook dá dinamismo cria uma obra-prima de poder avassalador, pincelado por cenas líricas e de uma inteligência extinta.

 

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