Contra Todos

Publicado: novembro 23, 2004 em Cinema
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contratodosContra Todos (2004) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Estreia na direção, do roteirista e professor da USP, Roberto Moreira, seguindo na linha de filmes abrangendo a violência urbana brasileira, tema que tem trazido sucesso ao cinema nacional no exterior. Filmando em vídeo digital, com a câmera na mão, Moreira traz o público para dentro daquela casa, tornando- o mais uma presença dentro daquele maçante ecossistema. A fotografia suja, a câmera trêmula, as tomadas posicionadas onde poderia haver alguém.

Estamos inseridos no cenário, na estética da região do Aricanduva (zona leste de São Paulo). As cores e objetos, o detalhe dos azulejos que não cobrem a cozinha toda, móveis e armários. A câmera viaja com seus personagens, percorre ruas do centro, a Galeria do Rock, acompanha o trajeto de um ônibus por ruas e avenidas.

No filme tudo começa calmo, mas com cheiro de encrenca. Teodoro (Giulio Lopes) é o patriarca, vive com sua segunda esposa (Cláudia – Leona Cavalli) e com a filha adolescente do primeiro casamento (Soninha – Silvia Lourenço, excelente). Moralista e conservador, obriga todos a realizar uma oração antes da refeição ou ler a bíblia antes de dormir. A alegoria de pai responsável esconde sua profissão, matador profissional.

Soninha é a típica adolescente rebelde, age por impulso sempre afrontando o pai, ouve música compulsivamente, usuária de drogas e compenetrada em descobrir sua libido. O casamento anda em crise, assim como o marido que flerta com uma crente devota, Cláudia também é infiel. As aparências apenas negam as diferenças do casal, ela quer mudar para o interior, ele recusa.

Um crime é a gota a transbordar a crise familiar, uma explosão de violência toma conta do filme. Cenas duras, situações sufocantes, o desejo em chocar o público é levado às últimas consequências com situações extremas, por vezes desnecessárias. Enquanto Moreira explora com essa visão parcial do subúrbio, surge Waldomiro (Aílton Graça) como chave da trama, num final que tenta se explicar para preencher arestas e parecer surpreendente, quando na verdade não o é.

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