Antes da Revolução

antesdarevolucaoPrima della Rivoluzione (1964 – ITA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Aos vinte e dois anos de idade, Bernardo Bertolucci era um jovem cineasta, em seu segundo longa-metragem. Na figura central de seu filme há Fabrizio (Francesco Barilli), na plenitude de seus vinte e dois anos (será mera coincidência com o diretor ou traços autobiográficos?). O jovem vive em Parma, enfrentando uma crise de indecisão, a insegurança que a imaturidade insiste em alimentar. Fabrizio passa horas e horas discutindo com um amigo professor sobre política, ideologias, artes, sobre a sociedade. Renega ferozmente a burguesia, mas se considera à frente das ideologias comunistas. Sua indecisão sobre a vida torna-se ainda mais exacerbada quando do suicídio de um de seus melhores amigos, a tragédia anunciada perturba ainda mais esse jovem confuso.

É um filme sobre política, é um filme sobre artes, mas é essencialmente um filme sobre o amor. E o amor vem na figura da charmosa e sedutora Gina (Adriana Asti), Fabrizio descobre o verdadeiro amor nos braços de sua tia, que veio de Milão passar uma temporada. O relacionamento proibido desperta nos dois um sentimento platônico, ele derrete-se completamente, pela primeira vez sente realmente o que é o amor. Gina sofre de crises de identidade, é volúvel, complicada, ama e sente-se só numa velocidade alucinante.

A chegada da fase adulta marca Fabrizio profundamente. As descobertas amorosas, os dissabores que a vida lhe reserva, suas crenças. Bertolucci recheia seu filme com referências artísticas, desde Oscar Wilde até Moby Dick. Seus personagens lêem muito, discutem, recitam trechos dos livros. A efervescência de assuntos dá lugar ao tema amor, e conseqüentemente as peculiaridades que cada relacionamento possui tiram espaço para o que se estava exercitando nos outros desmembramentos.

O trabalho do diretor, sob o formoso rosto da atriz Adriana Asti, exalta-a em cada cena ao status de uma grande diva do cinema. Com maestria o público se vê encantado, sem que se use de artifícios vulgares e eróticos. Quase no fim, Bertolucci volta a politizar seu roteiro, Fabrizio discute com um fazendeiro falido e desse diálogo podemos pincelar uma frase que diz tudo, o resumo dos caminhos tomados pelas decisões narcisistas econômicas: “Aqui termina a vida e começa a sobrevivência”. Depois disso o que mais for falado é irrelevante, Bertolucci expôs sua visão plural do futuro e acertou em cheio.

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