Edukators

edukatorsDie Fetten Jahre Sind Vorbei (2004 – ALE/AUT) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Utopia e coerência andam por caminhos opostos. Não no filme do diretor austríaco Hans Weingartner. As propostas e discursos, bradados em coro pelos jovens protagonistas, conseguem atingir, simultaneamente, pontos estritamente antagônicos. São idéias coerentes e irreais, aquele discurso panfletário, que se coloca como coberto de razão, porém ninguém acredita que será colocado em prática algum dia. A caracterização de um ambiente jovem e anárquico é muito bem definida pelo diretor, com trilha sonora pesada e bastante presente, edição ágil e ritmo frenético no melhor estilo videoclipe. A câmera na mão, em planos fechados no rosto dos personagens, chacoalha muito no início quando Weingartner pretende traçar o panorama do estilo de vida desse grupo específico de jovens alemães.

Os amigos Jan (Daniel Brühl) e Peter (Stipe Erceg) dividem o mesmo apartamento, durante o dia trabalham colando panfletos e participando de movimentos anti-capitalismo. Levam com fervor seu repudio a má distribuição de renda e ao sistema onde quem tem sempre quer mais. À noite, a dupla invade mansões, onde os moradores estejam viajando, para protestarem. Alteram a distribuição dos móveis e deixam mensagens do tipo: “seus dias de fartura acabaram”. Auto-intitulados “Os Educadores”, não roubam nada, o único intuito é causar pânico nos ricaços, assustá-los.

Numa série de pequenas reviravoltas os dois amigos acabam envolvendo-se num triângulo amoroso completado por Jule (Julia Jentsch), que era namorada de Peter, e deparando-se com um morador numa dessas invasões. As duas situações, a seu tempo, fogem de controle. Essa pode ser a chance de dar um passo a frente em suas idéias, fazer algo concreto em prol de sua causa. Mas são jovens, inseguros de seus atos, pacíficos, e também estão em jogo delicados assuntos sentimentais.

O filme consegue o mais difícil, mantendo as discussões político-econômicas de maneira coesa e clarividente, mas falha na maneira encontrada por Weingartner em dar cabo de sua história, o desenlace amoroso é incipiente, e portanto, fora de propósito, fácil e pouco original para influenciar seu final. O que poderia tornar-se um drama engajado cai para uma trama falsamente aventureira e um presente humor negro (divertido e utópico). Vale muito pela temática jovem, pela caracterização de uma geração onde não se luta por princípios, onde as características revolucionárias podem ser compradas em qualquer loja de departamento sem que se tenha qualquer simpatia pelas idéias. Uma juventude sem ideais, mergulhada profundamente no consumismo que o capitalismo proporciona.

E por isso tudo que Hardenberg torna-se cada vez mais o personagem mais interessante da história, um revolucionário em sua época que cedeu ao sistema e redescobre pequenos prazeres que estavam enterrados em sua vida. Essa discussão proposta pelo filme é de longe o mais interessante que ele proporciona, as conversas pouco conclusivas porém coerentes de Hardenberg (Burghart Klaubner) e Jan dão noção do estado de inércia da juventude atual, e da improvável melhoria do sistema econômico vigente. Jan informa que os cidadãos europeus passam quatro horas por dia em frente à TV, eles não são os únicos e consequentemente voltamos aos primórdios da Grécia antiga e a política do “Pão e Circo”. Cada vez mais enquadrados num estereótipo de pensamento, amarrados a uma única corrente ideológica.

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