Bicho de 7 Cabeças

bichodesetecabecasBicho de 7 Cabeças (2000) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Dois pontos não podem fugir de qualquer discussão, ou reflexão, por serem as reais proposições levantadas pelo filme: a desinformação que gera situações irremediáveis e a lastimável situação de funcionamento dos manicômios públicos. A primeira é a espinha dorsal da história, e dela chegamos à denúncia da conjuntura dos institutos públicos de saúde.

A história, inspirada no autobiográfico livro Contos Malditos, de Austregésilo Carrano Bueno, tem como protagonista Neto (Rodrigo Santoro), um jovem típico, gosta de curtir com os amigos, descobrir as coisas da vida, viver aventuras. Um pré-delinqüente que picha muros e fuma maconha, eventualmente. A rebeldia atrapalha o diálogo em casa, principalmente com o conservador e intransigente pai (Othon Bastos). A situação chega ao insustentável quando o pai encontra nas coisas de Neto um cigarrinho de maconha, despreparado para lidar com a situação, e mal assessorado, o pai trata o garoto como um viciado, interna-o prontamente em um manicômio para desintoxicação.

A diretora Laís Bodanzky foca sua câmera na deplorável figura dos internos do lugar, as paredes mal cuidadas, os uniformes sem cor, a gente sem esperança deixando no rosto as marcas do sofrimento, o cinza carregado (intensificado pela fotografia capitaneada por Hugo Kovensky). Tratados como presidiários, num sistema tão falido quanto, é impossível crer que dali alguém possa recuperar-se são. Um ambiente contaminado pela desesperança.

Como os loucos do lugar, Neto é tratado a base de calmantes e outras drogas, a revolta gerada pela situação é propulsora de violência e combatida com sessões de choques elétricos. Nessa fase que a figura de Rodrigo Santoro ganha ares de grande ator, até então seu personagem não passava de um jovem rebelde. O andar mole, o jeito de olhar, meio sem rumo, o desespero oriundo da dor, Santoro encarna as agruras de Neto.  A quebra de confiança na relação pai-filho é a chave para dissolução da história, nessa ruptura os personagens aprendem a amadurecer (pelo menos deveriam).

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