O Espelho

Publicado: janeiro 24, 2005 em Cinema
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oespelhoAyneh / The Mirror (1997 – IRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Uma garotinha (Ymina Mohammad-Khani), com o braço engessado, espera no portão da escola, que sua mãe venha buscá-la após o término das aulas. A mãe se atrasa, todas as crianças vão embora, e a filha, cansada de esperar sozinha, decide partir pela cidade atrás do caminho de casa. É de maneira dócil e pueril que a câmera acompanha a menina, e os pequenos personagens que são inseridos pela sua jornada. O diretor Jafar Panahi prende-se a minuciosidades, não tem pressa em fechar um ciclo, nem que precise voltar nele lentamente, e inúmeras vezes, para concluí-lo.

Um senhor que trava uma batalha incansável para atravessar a rua, uma senhora reclamando da família que não a trata bem, uma mulher lendo a mão de outras no ônibus. Alguns desses personagens vão e voltam até que seus esquetes sejam encerrados, aliás, na primeira fase a garota parece que será apenas argumento para que Panahi trate do cotidiano, abordando temas como o tratamento islâmico exclusivista com as mulheres (pegando entre outros exemplos a divisão existente dentro dos ônibus no Irã, onde homens e mulheres ficam em espaços separados). Outro aspecto recorrente é o transito caótico que parece insolucionável (tema que já abordou em outros filmes), o desrespeito com pedestres, idosos e crianças.

A veia crítica do roteiro de Panahi começa a ficar monótona, eis que o diretor tira uma sacada que faz o filme renascer, brilhar, florescer. Numa bela jogada ele impulsiona sua história e transforma sua atriz num espelho da própria personagem, tenta que o público acredite que passa a filmar a realidade e não mais um roteiro com texto escrito. Personagem e atriz se confundem, suas histórias fundem-se e o que parecia cansativo volta a todo o vapor.

Nessa fase o que se torna mais interessante é a aparente improvisação, o pseudo-amadorismo da equipe de filmagem que estaria despreparada para a situação da pequena atriz rebelada, que cansou de brincar de ser atriz. Ficamos entre o pasmo com a situação “documental” e o improviso de quem está ouvindo um diálogo no microfone enquanto a câmera filma a parede de um ônibus que teima em não sair da frente de suas lentes.

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