Perto Demais

Publicado: janeiro 25, 2005 em Cinema
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pertodemaisCloser (2004 – EUA/RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

De um lado duas norte-americanas, de outro, dois ingleses, o palco é Londres. Paixões, infidelidades, jogos sexuais. Um tal de idas e vindas, trocas e re-trocas de casais, ao longo do tempo. Discutir relacionamento, expor desejos sem recriminação, saber detalhes sórdidos das relações, notar o momento em que o amor é pulverizado como pó. Sem contemporizar nesse jogo do amor, todos partem com o coração aberto despreparados para perder, as palavras variando entre o sincero e o dissimulado, porém sempre prontos para contra-atacar fulminantemente.

Em seu filme de estréia (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?) Mike Nichols conduziu com primor os diálogos interpretados com maestria por Richard Burton e Elizabeth Taylor, diálogos que possuíam uma acidez vibrante, cada qual buscava desestabilizar moral-psicologicamente ao outro numa disputa torturante. Perto Demais sonha em alcançar algo parecido, é também adaptação de uma peça teatral e onde o filme anterior mais possuía méritos é que este peca vertiginosamente. Os diálogos mais parecem jograis ensaiados onde cada personagem tem na ponta da língua a resposta sem raciocinar muito. Numa falsa honestidade atingem um ao outro de maneira leviana, expondo sentimentos, e abusando de detalhamentos sexuais. Essa artificialidade passional quebra a credibilidade das palavras proferidas por cada personagem.

O filme é basicamente falado, e pouco sentido (emocionalmente), detalhes minuciosos dos casos extraconjugais são narrados pelos próprios amantes, nunca assistimos a estes momentos, o filme prefere que seus personagens narrem fatos causando a torturante sensação da imaginação. Imaginação essa desnecessária, já que de tão detalhados, pouco se tem a imaginar sobre cada momento. E a dor do traído, o possível arrependimento do traidor? Nada disso merece cuidado, talvez pelas preguiçosas e nada contundentes interpretações de Julia Roberts e Jude Law, talvez pela excessiva carga de personalidade dissimulada no quarteto. Se bem que Law consegue criar um lado de seu personagem, um tanto maquiavélico, mas ele não sabe amar em cena, a maior parte de suas aparições parecem comida de doente, sem sal.

Há cenas entre Natalie Portman e Clive Owen mais atrativas. Toda a seqüência no clube é vivida com efervescência, jorrando sensualidade por parte de Portman e libido por parte de Owen. O trabalho de câmera, o sincronismo entre os atores, nem parece o mesmo filme em que desfila a outra dupla superstar. Clive Owen é bruto, correto na excessiva carga rude de ser, Natalie Portman não só rouba o filme como convence sua vítima a não requerer o que foi roubado, espetacular dos pés a cabeça, do início ao filme, vai de frágil a fatal chegando ao vil sem a menor força.

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