O Aviador

oaviadorThe Aviator (2004 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Espero que a Academia dê logo o Oscar que Martin Scorsese tanto anseia, assim ele pode deixar de lado essa obsessão e volte aos seus bons filmes. É triste começar com um apelo, mas essa é a impressão que O Aviador deixa, confeccionado sob todas as orientações, à risca na cartilha que o Oscar confeccionou.

Cinebiografia de Howard Hughes, o milionário texano movido por duas grandes paixões: a aviação e o cinema. Já começamos caindo de pára-quedas, no primeiro ano de filmagens de Anjos do Inferno, o ano é mais ou menos 1930, e a direção de Hughes. Antes disso, algumas explicações para o início do comportamento transloucado de Hughes, que aliás será a tônica do filme. Sua mãe possuía excessiva preocupação contra ácaros e micro-organismos, Hughes herdou essa paranóia.

O milionário flertou na vida toda com suas paixões, para quem não conhece seus feitos, além de dirigir Anjos do Inferno, foi produtor de outros como Scarface. E também adquiriu a TWA (importante companhia aérea) comprando briga com a poderosa Pan Am. Na aviação sempre interessou a área de engenharia e criação dos aviões e nunca a administração dos negócios. Seu prazer era participar ativamente de sua paixão. Acima de tudo, Hughes era um inflamado por seus hobbies, dono de uma excentricidade absurda, extrapolada pelos graves problemas psicológicos, entre eles o TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo). Lavar as mãos até sangrar, repetir centenas de vezes a mesma frase, a ponto de perder o controle sob si, deixando-se dominar pelas fraquezas de sua mente. A vida amorosa também foi tumultuada, no filme ganham destaque os relacionamentos com Kate Hepburn e Ava Gardner, mas muitas outras divas como Rita Hayworth estiveram em seus braços (dizem que também teve relações homossexuais).

Grande (na duração), grandioso (na concepção), obtuso e equivocado no resultado final. O roteiro parece esburacado, concentrado basicamente nos dramas psíquicos, que auxiliam DiCaprio a alcançar uma atuação soberba, e nos dois affairs, cujo interesse vem pela fama das envolvidas. DiCaprio brinca com os olhares como quem domina uma ciência, indo do devaneio ao inflamado com facilidade incontável. Cate Blanchett mais talentosa do que nunca, falando rápido, com sotaque diferenciado, e pose de estrela de cinema, figura magistral em cena.

Já Scorsese parece preso, podando sua criatividade no posicionamento de câmeras, e outros aspectos que fazem seu cinema tão peculiar. Recriar com maestria a época é importante, mas não imprescindível, contar por contar a biografia de uma figura tão singular é esvaziar sua importância. Scorsese derrapa em sua obsessão, não consegue nem nos apaixonar com os delirantes projetos de Hughes, e nem nos laçar pela disputa política no setor da aviação.

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