Os Amantes

osamantesLes Amants (1958 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Uma ode a liberdade social e sexual feminina. Muito além de um filme sobre infidelidade feminina, na alta sociedade francesa, a fita destaca-se por retratar os primeiros passos da indpedência de escolha, desse feminimsmo orquestrado pelo impuslso sexual. O choque é inevitável, no filme, personagens admiram-se com a mulher que toma decisões individualistas e despreocupadas, na platéia é o seio desnudo de Jeanne Moreau que causa espanto, por tremendo atrevimento numa cena lírica, doce.

Jeanne Tournier (Jeanne Moreau) é casada com um importante editor de um jornal de Dijon. Entediada com sua vida, no interior da França, hospeda-se, frequentemente, na casa de sua grande amiga, Maggy Thiebaut-Leroy, em Paris. Na cidade-luz, convive na alta-sociedade, e mantém affair, com o galanteador jogador de pólo Raoul Flores (José Luis de Villalonga). Logicamente a situação tornar-se-á insustentável, cansado de não dispor da esposa em casa, Henri (Alain Cuny) implica com as viagens, cada vez mais frequentes. Deseja um jantar, em sua casa, com presença de Raoul e Maggy. É nesse ponto que entra de supetão na história o arqueólogo Bernard (Jean-Marc Bory).

Baseando-se no livro Point de Lendemain, escrito por Dominique Vivant, Louis Malle causa no público a sensação de estar dançando uma valsa durante a projeção, tal clima levemente envolvente o diretor imprime. Se a posição libertária da época não fosse tão importante, o filme pareceria fútil, tal qual a sociedade retratada. Ainda que coberto de alguns requintes e narrado de forma ajustada. Mas é na audácia que a obra ganha importância relevante, e é com Bernard que o enredo ganha contraponto. Nas diferenças sociais e ideológicas, o amor prova que esses pontos pouca diferença fazem.

O romantismo dessa fase do filme transborda pela tela, as sensações intensas vividas pelos personagens encontram o público ávido por elas. Se bem que, desde o início do jantar, na casa dos Tounier, o filme ganha diálogos e um jogo de palavras ásperas, que guardadas as devidas proporções, poderiam estar incluídas no célebre Quem Têm Medo de Virginia Woolf?. Se a futilidade da egocêntrica Jeanne Tournier, que nem à filha dedica atenção, contamina a primeira metade, o transbordar de amor retratado pela diva Jeanne Moreau perfaz o que se esperava de Louis Malle. Um belo filme se olhado de maneira diferenciada.

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