A Mulher do Lado

Publicado: março 7, 2005 em Cinema
Tags:, , , ,

amulherdoladoLa Femme D’à Côté (1981 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Não poderia enveredar-se por outros caminhos, a história de amor envolvendo Bernard e Mathilde: “Nem com você, nem sem você”. O ambiente trágico é observado já no tom de abertura, conduzido pela encantadora Madame Odile Jouve, a administradora do clube de tênis que se presta a narrar os essenciais seis meses anteriores ao ocorrido.

Em Grenoble, interior da França, mora Bernard Coudray (Gérard Depardieu), com sua esposa e o pequeno Thomas. Escolheram a região para desfrutar da natureza e da tranqüilidade que o campo oferece. Após alguns anos, a casa ao lado finalmente é alugada. Como de praxe, Bernard é solicito, tenta ser gentil ao casal de novos vizinhos. Isso até descobrir quem eram os locatários do imóvel, o reencontro com Mathilde Bouchard (Fanny Ardant) traz a tona à paixão de oito anos perdida. O passado parece reviver ferozmente, e o reencontro demonstra que o conturbado romance apenas hibernava em seus corações.

Num primeiro momento relutam, escondem de seus cônjuges que já se conheciam, mas o amor asfixiado entra em erupção como um vulcão adormecido. O sentimento de ambos é explosivo e controverso, quanto mais querem distanciar-se, mais próximos ficam. Os motivos da separação anterior surgem com a mesma magnitude da paixão, não conseguem agir normalmente, é cada vez mais difícil esconder a situação. A atração física é muito mais forte do que a coerência que teima em separá-los.

Este não possui o mesmo frescor de trabalhos anteriores de François Truffaut, isso não significa demérito, apenas diferença. A fotografia é carregada nos tons escuros, os sentimentos estão sufocados, causando picos de dramaticidade e eclodindo em reações espontâneas e destemperadas. A história é narrada em estilo clássico e as atenções centradas nas atuações da dupla Ardant-Depardieu, como se o filme tivesse menos de Truffaut do que outros, e assim o cineasta dividisse o peso da responsabilidade com a dupla.

Cada passo do roteiro está antecipadamente descrito na mente do público, a ausência de surpresas faz da história coerente, porém marcada. Truffaut faz tudo corretamente, prova maior é a cena máxima que está coberta de suspense e beleza. Desenvolve os coadjuvantes para que não sejam apenas figuras decorativas, transforma o dia-a-dia do romance em arma para resgatar passagens que marcaram o passado deles juntos.

comentários
  1. Beatriz disse:

    Desculpe, Michel! Esse é o melhor e explosivo filme de Truffaut. Dizer que lee não passa de mais um bom filme, é tê-lo visto sem percebê-lo!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s