Desde que Otar Partiu

desdequeotarpartiuDepuis qu’Otar Wst Parti… (2003 – FRA/BEL) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O argumento já vem carregado de denúncia. Um médico deixar a capital de seu país, para trabalhar como imigrante ilegal, em qualquer outro lugar (no caso específico na construção civil), é um grande sinal de que as coisas não caminham de maneira sadia (economicamente falando). É essa a situação que se encontra o filho de Eka (Esther Gorintin), o Otar do título.

A principal alegria na vida dessa mãe é receber telefonemas ou cartas de seu filho, além do dinheirinho que ele sempre manda. Eis que a repentina notícia da morte do irmão pega Marina (Nino Khomasuridze) e sua filha Ada (Dinara Drukarova) desprevenidas. Preocupadas com a saúde de Eka, as duas pactuam por omitir a verdade da matriarca. A velha não desconfia de nada, mesmo estranhando a falta de ligações. Continua a receber cartas do filho e aparentemente isso basta. Nesse meio tempo o roteiro aproveita para atribuir particularidades a essa família, normalmente as situações advêm de crises entre Eka e a filha. São pequenas brigas, Marina procura receber a mesma atenção que Eka dá a Otar, morre de ciúmes sem dar o braço a torcer. A situação é incomodamente falsa, longe do crível imaginar que a morte do filho fosse sustentada, por tanto tempo, por uma família.

Julie Bertucelli estréia na direção, e sua preocupação em não cair para as facilidades do melodrama podaram sua possibilidade de ousar, causando ao filme um tradicionalismo chato e uma sensação de andar em círculos intermináveis. Se bem que, o final, guarda agradáveis surpresas, revigorando a história. A simpática velhinha Esther Gorintin atrai o público com sua atuação equilibrada, com a idade que pode ser medida em cada olhar profundo, cheio de passado.

Voltemos ao tema da denúncia citado no início, Tbilisi é a capital da Geórgia (um dos países que formavam a antiga URSS) e como pano de fundo Bertucelli exibe a situação a qual passa a população. Água e energia elétrica faltam a todo o momento, emprego é coisa rara. Os jovens, sem perspectivas, preferem arriscar a sorte, e atravessar fronteiras para chegar a países como a França. Não são os únicos, diplomados também buscam novas perspectivas. Carros tornam-se motéis improvisados em plena luz do dia. Aos que ficam, resta desfazer-se dos pertences para custear a sobrevivência familiar. Nessa outra faceta do filme ,Julie Bertucelli oferece ao público pontos de reflexão, transforma suas três protagonistas, de gerações distintas, numa eficiente metáfora sobre passado e presente econômicos do país.

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Um comentário sobre “Desde que Otar Partiu

  1. Tenho lido críticas ao filme Desde que Otar partiu. No entanto, favoráveis ou não, elas não apresentam um fato que considero relevante. Esta história foi tirada não de uma história real, como falam, mas de um conto de Julio Cortázar, chamado La salud de los enfermos, do livro Todos os fogos o fogo, de 1966. Nunca vi em nenhuma crítica ou nas apresentações do filme isto ser explicitado, o que me parece uma injustiça. Atenciosamente, Antonio, Curitiba, Paraná.

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