Conto de Outono

contodeoutonoConte d’Automne (1998 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A identificação com a estação do ano em que transcorre a história é quase diminuta, o sentido do outono é muito mais amplo. Seu significado remete ao grau de amadurecimento dos personagens, a fase da vida em que as pessoas perdem no aspecto físico, para esbanjarem em outras áreas. Como se cada um vivesse o outono de suas vidas ao desfilar pelos quarenta anos, convivendo com suas vantagens e desvantagens.

Neste que é o último capítulo da série Conto das Quatro Estações, Eric Rohmer aborda a história de uma viúva, uma mulher independente, decidida, inteligente, e claro carente de um companheiro. Uma pessoa como Magali (Beatrice Roamnd) necessita de alguém que preencha um espaço que filhos e amigos são incapazes de ocupar. Realmente alguém que possa tornar prazerosa a companhia. Perdeu-se, há tempos, a ilusão do príncipe encantado e do “felizes para sempre”.

Duas amigas se incumbem, voluntariamente, de encontrar (mesmo sem autorização) uma paquera para Magali. Eesta foge do assunto esquivando-se na colheita das uvas de sua vitivinícola. A jovem Rosine (Alexia Portal), namorada do filho de Magali, tem em mente aproximá-la de seu ex-professor de Filosofia (e também um ex-namorado seu), que adora conquistar suas jovens alunas. Enquanto isso, a amiga Isabelle (Marie Rivére) capricha num anúncio de jornal, e mergulha profundamente na perspectiva de aproximar sua amiga de um homem interessante.

Surgem dois homens, duas personalidades diferentes. Dois pretendentes e o mesmo objetivo da própria felicidade. Desse modo, Rohmer esbanja realismo, destaca o relacionamento conflituoso entre mãe e filhos, expõe toda a insegurança que extrapola idades quando se fala de assuntos do coração. São realismos crus em cada diálogo, envoltos numa paisagem paradisíaca, repleta de verde dos campos, como num jardim de Monet.

Chama à atenção a escolha de atores fora do padrão de beleza que o cinema está acostumado a trabalhar, não que sejam feios, apenas comuns como todos nós. No entanto mesmo com tanta beleza dos cenários ou veracidade dos diálogos, o filme não chega a comover. O roteiro sugere ser moderninho, com voltas em torno do desfecho, mas nada que alcance brilhantismo. É quase documental, faltando uma pitada de emoção e menos razão.

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