O Clã das Adagas Voadoras

ocladasadagasvoadorasShi Mian Mai Fu / House of Flying Daggers (2003 – CHI/HK) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O clã das adagas voadoras é um grupo oposicionista ao governo chinês do século IX. Cansados da corrupção, e da incompetência do imperador, passam a aventurar-se como Robin Wood, roubando dos ricos para doar aos pobres. O governo desdobra-se para encontrar os líderes do grupo e aniquilar com o bando de espadachins. Para quem não conhece, adagas são pequenos punhais. Os membros do clã as lançam, com precisão milimétrica, sempre armas fatais.

A comparação com O Tigre e o Dragão é inevitável. Há inúmeras críticas ao filme de Ang Lee, principalmente no aspecto dos vôos em combate (com cabos aparecendo e etc), mas a verdade é que fomos pegos de surpresa, à época, com o estilo inventivo, aliado a exótica cultura oriental e um domínio técnico no que se refere à arte cinematográfica. E o ponto onde o filme de Zhang Yimou perde comparativamente é na inovação que o antecessor trazia ao cinema. O Clã das Adagas Voadoras perdeu o brilho da novidade. Sem dúvidas é de um visual luxuosíssimo, um colorido inigualável, fotografia e direção de arte espetaculares e alguns movimentos de câmera delirantes. Porém, cheira como reciclagem, já que a história não passa de um conturbado caso de amor, mesmo que as famosas imagens de personagens voando sejam raríssimas.

É verdade que uma cena final inesquecível sempre faz bem a um filme. Zhang Yimou cozinha o público, por quase duas horas, com a história da dançarina cega, filha de um antigo líder do clã, e um policial que finge ajudá-la para infiltrar-se no grupo. Os dois viajam por florestas, durante dias, fugindo da polícia em batalhas sangrentas, e resistindo ao amor que teima em aproximá-los.

O cineasta chinês explora todos os segredos do roteiro, para que amor e ódio explodam durante uma fabulosa batalha na neve. O ingrediente sentimental é imprescindível para o sucesso da cena, os corpos cansados. No rosto, os sentimentos afloram, as espadas demonstram sinais de desgaste com as batidas das lâminas afiadas. Se o fosse um filme ruim (não o é) só esses minutos finais valeriam qualquer ingresso. Depois, o filme volta a um ritmo hollywoodiano que o acompanha, pejorativamente, nos momentos de maior dramaticidade. Mas aquela batalha não me sai da cabeça.

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