Beijos Proibidos

beijosproibidosBaisers Volés / Stolen Kisses (1968 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Agora oito, talvez dez anos mais velho, o garoto incompreendido Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) cresceu, e tornou-se um zero à esquerda no sentido sarcástico da expressão. Por motivos pessoais alistou-se no exército (detalhes são desnecessários), e após três anos foi expulso por incapacidade (chispa). Uma amostra da completa inaptidão deste jovem para qualquer atividade que seja. Sem emprego, Doinel encontra auxílio na acolhedora família Darbon, e seus interesses vão além, já que há tempos sente imenso amor pela filha do casal, Christine (Claude Jade).

“Mesmo quando eu te amava, não te admirava”, seria assim que Doinel pretendia conquistar o coração da doce Christine? Talvez não fosse o caminho mais fácil, porém é dessa maneira que a juventude iça suas relações, o desprezo mesmo involuntário é arma eficiente nos assuntos do amor. Pesa também a inexperiência, exemplo maior é a cena em que Doinel corre desesperadamente após sair do exército. O destino é um hotel fuleiro onde algumas prostitutas batem ponto. A testosterona a mil, a porta do quarto se fecha e ele tenta em vão lascar um beijo, imaginava que naquela relação haveria algo além da satisfação física.

O viço da juventude é notado em cada fotograma, o cineasta François Truffaut faz questão de situar o filme dentro do mundo de seu personagem central. Abordando o lado mais romântico da juventude, os aspectos que defrontam o amor, a descoberta do sexo, e a maneira singular com que esses jovens lidam com estes assuntos. A atração de garotos por belas e experientes mulheres e a fascinação que homens adultos sentem por lolitas. Truffaut manipula o desajeitado Doinel para aglutinar com inteligência dissonante todas essas abordagens.

Jean-Pierre Léaud é personificação do atrapalhado Doinel, o roteiro quis que ele acabasse trabalhando numa agência de detetives, palco magistral para o corrente e deleitável humor. Enquanto somos tragados pelas estripulias do rapazote, Truffaut busca consistência em suas abordagens com a leveza que só ele sabe guiar. Beijos Proibidos não é o segundo capítulo da saga de Antoine Doinel por acaso, em dois momentos o título literalmente entra na história (um deles já citado) e em ambos é a juventude o maior obstáculo para se atingir objetivos. Truffaut também não perde a militância, abre seu filme homenageando Henri Langlois com a câmera apontando para a Cinemateca Francesa trancada com correntes, espaço fundamental para formação do próprio cineasta e grande merecedora dessa incontestável lembrança.

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