Domicílio Conjugal

domicilioconjugalDomicile Conjugal (1970 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Um franzino e elegante par de pernas, vestidos com meias-fina, cruza a lente da câmera ao caminhar por uma calçada num vai-e-vem indeciso. A jovem é tratada polidamente pelos vendedores, mas com gosto e delicadeza os corrige prontamente: “Senhorita não, senhora”. Os personagens dispensam apresentações, Antoine Doinel e Christine (agora Doinel) vivem como numa pequena vila em Paris. Ela leciona, em casa, aulas de violino, enquanto ele trabalha tingindo flores brancas para uma floricultura.

Toda a abordagem dessa nova aventura de Doinel circula sobre a famigerada “vida de casado”. François Truffaut explora os pontos que acredita serem triviais a um matrimônio. Nele estão contidos os momentos românticos, as pequenas brigas, jantares com os parentes, a jovialidade dos primeiros anos de casados, a infidelidade masculina (pensamento extremamente machista), a crise e suas conseqüências. Aliás, o pensamento machista de Truffaut pode ser percebido em outros detalhes, normalmente ligados à infidelidade, caso da relação prostituição/casamento feliz.

O humor constante e usado de forma sutil, as características singulares de Doinel, o falso ar sem compromisso do filme anterior permanecem. A história é apimentada com a aparição de uma oriental na vida de Doinel, sua exótica beleza o atrai a ponto de Christine descobrir sua traição, mesmo com um filho pequeno o relacionamento declina. Essa é mais uma maneira de Truffaut “trivializar” este casamento, mostrar que em sua visão o amor é inconstante, volúvel.

Um grau de maturidade mais acentuado nos dois personagens centrais pode ser notado ativamente, esse processo entre a juventude e a fase adulta (onde está incluído o casamento) faz parte da transição. As recaídas infantis tornam-se saborosíssimas passagens. Jean-Pierre Léaud não perde o estilo e Claude Jade a ternura. As saídas no roteiro encontradas por Truffaut apenas aproximam o público dos personagens. A graça e o cômico permeiam cada situação numa colcha de gêneros que desfilam por essa comédia (drama, romance e até suspense dão o ar da graça). O epílogo tem representatividade muito maior do que ser o fim, de sagaz humor ele idealiza mais uma corriqueirice conjugal.

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