A Intérprete

The Interpreter (2005 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Escolheram um país fictício, foi até melhor, seria injustiça mirar na história político-sangrenta de um país africano, e deixar que vários outros escapassem ilesos da imagem de genocídio, como se aquela fosse uma história isolada. Líderes que pregam a paz durante sua fase de guerrilheiros, e ao subir ao poder tornam-se ditadores implacáveis, promovendo verdadeiras carnificinas, pelo país, são a triste realidade de grande parte do continente africano.

O que ganha dimensões além da história é o cenário, o filme já ficou marcado como o primeiro gravado dentro da sede da ONU. Muitos cineastas tentaram permissões, e só Sidney Pollack conseguiu convencê-los a abrir os salões da organização. Talvez tenha sido uma escolha política, já que a ONU está com sua imagem fragilizada depois dos acontecimentos políticos no Iraque, principalmente na decisão dos EUA de não aceitarem o veto do Conselho de Segurança contra a invasão. Não importa, ao filme, a utilização desse cenário foi altamente benéfica, trazendo realismo.

E no grande salão que a trama tem seu estopim, quando por acaso a intérprete Sylvia Broome (Nicole Kidman) ouve um diálogo em que se tramava o assassinato do presidente Zuwanie (Earl Cameron) de Matobo. A situação política daquele país fervilhava, e Zuwaine pretendia discursar na ONU em buscar de apoio. Silvia procura a polícia, desconfiados os agentes trabalham com a hipótese do atentando, enquanto investigam a própria intérprete. Qualquer outro detalhe estragaria o thriller.

Pollack nos reservou boas doses de suspense, alguns deles realmente eletrizantes como a fantástica seqüência no ônibus. Porém, em vários momentos e com clichês a exaustão o filme se torna sentimental ao extremo. A cena em que o lenço umedecido limpa o rosto, com sangue, talvez seja o ápice desse sentimentalismo banal. Essa gangorra, de bons e maus momentos, traduz a irregularidade do filme, se o silêncio substituísse alguns diálogos já teríamos um resultado melhor. O agente secreto (Sean Penn) é usado pela interprete como bola de ping-pong, sua vida pessoal escancarada é a maneira encontrada pelo roteiro para dar um toque romântico à história.

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