A Sombra de uma Dúvida

asombradeumaduvidaShadow of a Doubt (1942 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Gosto desses títulos de filmes antigos, quase explicativos, que denotam resumidamente o rumo da história. Hoje são usados nomes mais fortes e curtos, que se supõe grudar mais fácil na cabeça do público. “A Sombra de uma Dúvida”, é simples, está tudo aí. A trama trata da história de uma sobrinha (Teresa Wright) que descobre a vida criminosa de seu Tio (Joseph Cotten), e fica dividida em entregá-lo a polícia e assim se tornar pivô do desgosto familiar.

Casais valsando durante os créditos iniciais. Uma abertura peculiar para um thriller. Depois, a câmera fixa num homem deitado, há dinheiro espalhado pelo quarto e dois sujeitos o procurando no hotel. A música aumenta de volume, gradativamente, revelando que realmente estamos diante de um suspense.

Passada essa sequência, Alfred Hithcock nos apresenta a pacata cidade de Santa Rosa. Uma música alegre enquanto a câmera aponta para construções, flores, tudo para dar aquele ar de cantinho do céu, a típica cidade interiorana dos EUA. Tio Charles (aquele com cara de culpado deitado na cama) vem passar uma temporada com a família de sua irmã.

O aspecto mais interessante de todo o filme é a estrutura criada por Hitchcock para compor essa família, típica numa fase pré american way of life. A jovem reclama da monotonia familiar, da cartilha seguida por todos dentro da sociedade (o homem trabalha, a mulher cuida da casa, o jantar com todos à mesa no mesmo horário, freqüentam a igreja, as formalidades e etc.). Ela anseia pela chegada do Tio, alguém que ela vê como fora desse padrão que poderia trazer alento para sua mente.

A convivência com o Tio desperta em Charlie desconfianças, que cada vez mais comprovam se tratar ele do criminoso das “Viúvas Alegres”. O peso da dúvida do título. Quando o filme parte para sua fase realmente thriller, as cenas ficam meio abruptas, como se o roteiro não cobrisse as arestas e precisasse jogar algumas informações de maneira atropelada, para não perder o sentido. Causando ruptura na retocada preocupação de Hitchcock em criar o panorama que o filme deveria obedecer, se o cineasta filma com perfeição a vida cor-de-rosa da jovem Charlie, o lado psicológico não alcança vôos marcantes.

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