O Homem que Sabia Demais

ohomemquesabiademaisThe Man Who Knew Too Much (1956 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Um casal feliz com uma vida econômica estável, um filho inteligente e educado, a esposa que abdicou de sua carreira pela família, a figura do machista que prefere ser bronco a sofisticado e possui sempre a última palavra em casa; resumindo: a família irritantemente perfeita do american way of life. Alfred Hitchcock realizando remake de um próprio filme seu.

O cineasta encarrega-se de espalhar pequenos assombros de mistério, enquanto confecciona essa categorização. O ar apreensivo somente climatiza a atmosfera sem causar arroubos de espanto. Refilmar seu próprio filme, não parece um desafio tão tentandor, que não economicamente, parece até pior do que forçar continuação, imaginem só se essa moda tivesse pego.

O roteiro leva essa família a uma viagem de férias em Marrocos. O médico (James Stewart) patriarca é abordado por um sujeito esfaqueado, que lhe sussurra um segredo de Estado, pouco antes de morrer. Do encontro casual, o médico passa a ser perseguido e chantageado, o filho seqüestrado, tudo para que não revele o tal segredo.

Eis a construção de mais um herói incólume. A capacidade de concluir, do personagem de James Stewart, chega a ser aborrecedora. Por outro lado, traços de humor minimizam essa estereotipação do herói comum. Hitchcock utiliza a favor do roteiro a capacidade de Doris Day soltar a voz, a música Que Sera Sera torna-se chave na trama, numa cena inábil e tola que ganha contornos heróicos.

Se todo o roteiro é alicerçado em inverossímeis acontecimentos que nem parecem fazer parte de um filme do mestre do suspense, Hitchcock concentra toda sua maestria no clímax perfeito. O majestoso Royal Albert Hall é o palco da seqüência sufocante, a câmera aponta para o assassino, corta para Doris Day aflita, vai para o primeiro-ministro, abre o plano e exibe a orquestra se apresentando ativamente, depois centraliza num dos instrumentos que será crucial. E esse vai e vem, armado na mesa de edição, é contínuo, fora de padrão. As tomadas estão embaralhadas, e essa combinação de cortes, deixa qualquer um atônito, na espera de seu desfecho. Por ser a cena principal do filme, mas não a finalização, o remate é inesperado e por isso ainda mais sufocante. Às vezes poucos momentos valem um filme, este é mais um desses casos.

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