Cortina Rasgada

cortinarasgadaTorn Curtain (1966 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Embalados pela música, um casal troca carícias debaixo dos cobertores. O frio é de rachar no navio que se aproxima da região escandinava. Na conversa, o tema casamento é levantado, mas algum segredo reside nas entrelinhas de outros assuntos. Um radiograma, uma mentira, a letra π, um livro com mensagem cifrada. Julie Andrews interpreta a assistente e noiva de um cientista, sua figura é contraponto que tenta desfigurar o clichê da história.

A cortina do título faz menção a Cortina de Ferro, a denominação dada nos tempos de Guerra Fria aos limites que separavam o comunismo do capitalismo na Europa, mais relevantemente em Berlim, que era a cidade dividida funcionando como uma espécie de vitrine das duas superpotências, que disputavam a hegemonia mundial. Sem dúvidas, essa conjuntura é um prato cheio para filmes sobre intrigas internacionais, espionagens e coisas do gênero.

A fragilidade da concepção do roteiro perpetua um caminho sem volta ao filme. Os comunistas não chegam a ser tratados como vilões, apenas inimigos como eram, mas são subestimados de uma forma tão inconsciente que o ambiente de suspense cede espaço a descrença. Há momentos que não podem ser levados a sério (exemplo: fuga da universidade), e mesmo se algumas cenas funcionassem melhor (exemplo: a seqüência no ônibus) teríamos somente uma diluição da problemática do roteiro.

O cientista americano que finge mudar de lado, para roubar informações secretas de um físico alemão, protagoniza pelo menos dois momentos de forte emoção. A cena no teatro, com os soldados fechando o cerco, e a certeza de serem apanhados é envolvente, e com um desfecho formidável. No entanto é na morte de Gromek que Alfred Hitchcock traz algo de especial. Toda a seqüência é angustiante, em cada gesto acompanhamos a luta pela vida, a resistência até o próprio limite. Hitchcock foge do convencional no cinema e apresenta uma morte detalhada, a dificuldade para acabar com uma vida está ali estampada em cada gota de suor, em cada contra-ataque. Naquele momento nada é mais importante do que sua sobrevivência.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s