Casa de Areia

casadeareiaCasa de Areia (2005) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Chamar de inóspita, uma região onde o que não é areia, é céu, surge como um eufemismo sarcástico. Olhando a todos lados, se vê apenas uma imensidão de areia. O nada que se movimenta pelo vento, sem função aparente. Foi para esse areal que Vasco levou sua família, sonhando com prosperidade. Maranhão, 1910, nos primeiros dias os homens fugiram, Vasco faleceu, e perdidas no meio daquela imensidão de areia, restaram apenas a viúva (grávida) e sua mãe. Sessenta anos de história se passam, a partir desse momento. As tentativas de deixar o lugar surgem fracassadas, como imã naquele mundarel de areia, e que atrai três mulheres contra sua própria vontade.

As duas Fernandas (mãe e filha) revezam-se entre os papéis, Torres demonstra a explosão da juventude, uma indignação repetitiva; já Montenegro assume a maturidade idosa, o aceitar o que se pode ter, e viver daquilo que é possível. As duas ótimas como sempre, mas é a mãe quem resgata os raros momentos em que o sentimento puro toma conta dos personagens, se o diretor Andrucha Waddington queria dar tons poéticos a seu filme, é com sua sogra que alcança sucesso. Só de ver Fernanda Montenegro vestida de hippie já valeria qualquer esforço.

A paisagem é vital à história, lindamente fotografada, ela remete ao marasmo, à monotonia, e é desse mesmo reflexo que padece o roteiro. Não há sentimento, falta liga entre os personagens e as emoções, está tudo muito preso, quase hibernando dentro dessas mulheres. As relações são frias, o sexo é frio, paciência para viver um dia depois do outro, esperar uma nova oportunidade de retornar a civilização, Andrucha vive com seus personagens um sonho contido.

A narrativa flui com intensidade moderada permeada pelo bege da areia, o azul do céu e o sol escaldante. As figuras masculinas têm importância selada, Massu é praticamente monossilábico, mas sabe muito bem agir quando lhe interessa. Cada um tem sua forma de demonstrar amor.

Mas, se pensarmos que o filme foge da mesmice temática do cinema nacional atual (violência e miséria), ou da predominância estética televisiva, é um alívio encontrar um trabalho desse tipo, pessoal e corajoso. O resultado dá sinais de maturidade artística do diretor, mesmo que seus problemas desviem o filme do caminho de uma “grande obra”.

PS: na sessão de cinema, no meio da platéia, chorando copiosamente, vejo a cantora Wanderléya.
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