Scorsese on Scorsese

Publicado: junho 20, 2005 em Uncategorized
(Scorsese on Scorsese, 2004 – EUA)

São inúmeros os documentários produzidos para a TV sob a direção de Richard Schickel dissecando a obra de grandes cineastas, desde Arthur Penn até Charlie: The Life and Art of Charles Chaplin. O intuito de Scorsese on Scorsese é promover uma análise do próprio cineasta sob suas obras, e sob algumas direções que tomaram sua carreira. O estilo é extremamente básico, não ouvimos perguntas do entrevistador.

Duas câmeras filmam fixamente Scorsese sentando, aparentemente numa poltrona de cinema, enquanto comenta de suas influências na infância, da importância de seu pai e de como iam ao cinema para ver faroestes. Dos filmes italianos que assistiam na TV de casa, na realidade de violência que convivia ao lado dos imigrantes europeus (italianos, irlandeses). Scorsese deixa claro que parte de seus filmes é oriunda do que acontecia no seu bairro, os mafiosos que controlavam a região, sua influencia com o que presenciava é total.

Depois parte para seus filmes, enquanto tece comentários e narra particularidades a imagem corta para trechos dos filmes em questão. Primeiro ponto é que as análises de Scorsese correm sem padrão, claro, ele fala coisas que lhe vem a cabeça, alguns detalhes das gravações; assim não há nada mais profundo que possa analisar, o diretor em momento algum guia os depoimentos. O segundo ponto a se destacar é a ausência de alguns filmes importantes como Cassino, Depois de Horas, Vivendo no Limite. Um documentário que se apresenta como uma análise desse tipo não poderia se dar ao luxo de abdicar de tantos filmes, talvez porque Schickel não se interesse tanto pelos filmes, talvez porque os comentários de Scorsese não tenham sido tão interessantes nesses casos especificamente, provavelmente para não ultrapassar limites de duração. Não importa, já começa incompleto e pouco contundente.

Ouvir alguém como Scorsese, que tem o que falar e possui uma carreira tão sólida, é sempre um prazer. É por esse aspecto que o documentário vale a pena ser assistido, os fãs vão descobrir curiosidades, como algumas cenas que se tornaram antológicas e saíram de pura improvisação dos atores. Acompanhar um Scorsese bem-humorado, forçando risadas para parecer engraçado, e acima de tudo alguém que ama o que faz e não tem vergonha alguma de elogiar aquilo que lhe agrada.

Teatro: saindo um pouco do Cinema, fui no sábado conferir A Maldição do Vale Negro com Camila Pitanga e Marcos Breda. A peça é bastante irregular, com boa preocupação visual, uma história extremamente batida, e o único diferencial é o incremento de humor a todo o momento. O resultado são boas risadas e algum cansaço com os clichês, destaque para Marcos Breda na pele de uma governanta ranzinza e ambiciosa.

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