Estrela Solitária

estrelasolitariaDon’t Come Knocking (2005 – EUA/ALE) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A certa altura da trama, o protagonista senta-se num sofá, que havia sido arremessado pela janela, e está no meio da rua com outras quinquilharias. Fica ali naquela rua deserta e a câmera fazendo movimentos de 360º contínuos, ora horários, e ora anti-horários. O dedilhar de um violão ao fundo, aquela visão de construções, e de uma poeira seca que o vento traz. O protagonista passa o dia sentado ali, sem proferir uma única palavra, sem alterar suas feições. Está perdido, mas não desesperado, vendo apenas o sol no caminho de se pôr, é a própria estrela solitária. Cena antológica.

Um decadente ator de faroestes (Sam Shepard), no meio de mais um set de filmagens, simplesmente desiste do filme e desaparece sem deixar vestígios. Larga na mão diretor, atores e toda a equipe de produção, partindo numa jornada existencial. Seu primeiro destino é visitar a mãe após trinta anos. Através dela descobre ter um filho, numa pequena cidade onde filmou um de seus sucessos do passado.

A nova parceria da dupla Wim Wenders e Sam Shepard, traz a repetição de muitas coisa vistas no clássico Paris, Texas. Mas, Wenders filma como gente grande, e por mais que não tenha agrado tanto a crítica assim, me parece um filme maduro, de quem sabe onde está pisando. O cineasta alemão trata de uma geração que agora percebe que sua fase já passou, e tenta aprender a lidar com o ostracismo. A câmera disseca o vazio que Howard carrega, por ter tido tanto e não ter construído nada. E agora no fim da vida percebe a solidão que os caminhos que escolheu o levaram.

Busca então se agarrar em resquícios do que deixou, a garçonete por quem fora apaixonado, o filho que ele nunca soube existir. E essa estranha garota loira que o persegue carregando as cinzas da mãe. Quem curtiu cada momento da vida regado a festanças, álcool e drogas, agora percebe que pouco valeu a pena, perto do que deixou de lado. É um drama existencial sim, personagens que tentam expurgar seus fantasmas.

Sam Shepard conduz esse caubói, no rosto e na suas expressões a dose certa para caracterizar o personagem, mas Shepard que me desculpe, Jéssica Lange roubou-lhe o filme, com aparições carregadas de emoção, com destaque para a cena em frente a academia.

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