Mostra SP – dia 6

Minha mãe precisou de um favor e não pude comparecer na sessão de Os Canibais, fica para uma outra chance Chico. Mais a noite peguei sessão dupla O Inferno e 2046, parece cisma, mas agora uma vez por mes encontro com o Dan Stubahl nos cinemas, estava ele atrás de mim na fila de O Inferno novamente. Entre as sessões a garota do meu lado me pediu para guardar lugar, ela ia tentar entrar na fila de espera para 2046 já que os ingressos estavam esgotados, e não é que conseguiu…

 

O Inferno (L’enfer, 2005 – FRA/ITA/BEL/JAP)

Segunda parte da trilogia deixada de herança por Kieslowski, não há limites para o calor do inferno. Se o primeiro filme começava eletrizante e caminhava irregular até o desfecho insosso, Danis Tanovic (Terra de Ninguém) tem muito mais sucesso mantendo a narrativa num padrão alto, explorando delicadamente a infernal vida de três irmãs marcadas por problemas no presente e no passado.
Sophie sofre com a infidelidade do marido, nem sua beleza e sedução parecem despertar desejo nele. Anne vive um caso com um professor casado, que está arrependido e quer terminar. Céline experimenta a solidão, sofre de insônia conseguindo dormir apenas em trens, só encontra companhia na mãe que mora num asilo. Cada drama dessas mulheres tem atenuantes, como sempre há de existir, ms além deles há um lance nebuloso do passado familiar que está prestes a voltar a tona.
Nada de cenas inflamadas de desespero, melodramas baratos. Essas mulheres choram, sofrem, tudo em cenas de delicado tato que Tanovic nos oferece. É um roteiro muito bem planejado, pequenas peças que se encaixam lentamente, sem que sequer estivéssemos procurando-as. São dramas pessoais corriqueiros, daqueles que encontramos no vizinho ou num amigo próximo, o inferno dessas mulheres vai cozinhando suas almas pouco a pouco.
De todas o drama de Sophie desgarra dos outros, sua obsessão compulsiva pelo marido, quanto mais descobre sobre a traição do marido, mais ela o deseja, mais tenta reencontrar a chama de desejo que se esvaiu. Numa das cenas ela entra num quarto de motel e encontra a amante dormindo, aproximasse do corpo nu, o olhar fixo, toca suavemente a pele. Emmaneeee Béart é dona de uma expressão poucas vezes vista, como se seus olhos estivessem a ponto de encher-se de lágrimas a todo instante, uma mistura de sedução, desejo, sofrimento, amor e mágoa. O inferno está dentro de seus olhos.

Sophie (Emmanuelle Béart) Céline (Karin Viard) Anne (Marie Gillain) Pierre (Jacques Gamblin) Frédéric (Jacques Perrin) Sebastien (Guillaume Canet)

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