2046 – Eleição – Pickpocket

Publicado: novembro 7, 2005 em Uncategorized

2046 (2046, 2005 – HK/CHI/FRA)

Não sei bem se são apenas as cores, mas o olhar fica embasbacado, tamanha beleza se reflete em nossos olhos, faça de cada cena um quadro e espalhe pelas paredes. É um filme luxuoso, deslumbrante, um desfilar de imagens saboreado lentamente como se o tempo estivesse em suspensão e cada segundo demorasse mais que o comum. Não importa se estamos no trem futurista ou na Hong Kong da década de sessenta, tudo é grandioso, belo, chique.
Já o roteiro é confuso, circular, não é questão de ser complexo, mas sim estranho. Não vejo o filme como uma continuação da obra-prima Amor a Flor da Pele, como muitos dizem. O diretor Wong Kar-Wai (Amores Expressos/Felizes Juntos) inseriu pistas dando indícios da relação amorosa do filme anterior, com o mesmo ator interpretando o mesmo jornalista que se torna escritor de quadrinhos e tudo se passa cronologicamente a seguir. Mesmo com todos esses elementos não consigo ver como uma continuação, as características pessoais de Chow são muito diferentes, como se outra pessoa tivesse se apoderado dele ou a perda de um amor muda completamente alguém?
A história trata de três vésperas de Natal na vida de Chow, cada uma delas abordando sua relação com uma mulher, seja uma dona de hotel, uma jovem ou uma prostituta. São histórias de desencontros, amores perdidos, relações conflituosas. Em meio a tudo isso há a trama dentro da trama sobre um trem que parte para o ano de 2046 onde seria possível encontrar as memórias que foram perdidas, um lugar de onde ninguém sai. A utilização da história 2046 como metáfora de uma das relações amorosas é tocante, irresistível.
O filme passa vagaroso, idílico, como se Kar-Wai quisesse que o público contemplasse cada momento. Se o filme não chega a empolgar como um todo, se fatiado em pequenas partes trata do amor de diversas formas, e raros são os que como Kar-Wai sabem filmar o amor. Mas em seu final o filme parece interminável, como se esticássemos um elástico que nunca arrebenta, até a belíssima cena final no táxi temos um tortuoso caminho, se bem que o silêncio de Tony Leung nas diversas vezes que é empregado fala tão bem de seus conflitos e sentimentos que Kar-Wai poderia demorar o tempo que quisesse para terminar seu filme assim como está.

Chow (Tony Leung Chiu Wai) Su Li Zhen (Li Gong) Wang Jing Wen (Faye Wong) Lulu/Mimi (Carina Lau) Bai Ling (Ziyi Zhang)

Eleição (Hak Seh Wui / Election, 2005 – HK)

Quer saber? Não tem nada demais. A câmera de Johnny To (Breaking News) é bastante ágil, tirando um pouco do romantismo dos filmes sobre mafiosos e suas famílias e por isso mesmo trazendo dinamismo, resgatando mais ação ao gênero. Fora isso é convencional de todas as formas, personagens típicos, mortes a rodo e um roteiro enxuto em sua primeira metade e inflado na segunda parte.
Trata de uma tradição de um braço da máfia que domina Hong Kong, a cada dois anos os principais líderes elegem quem os comandará até a próxima eleição, dessa vez há dois candidatos inimigos e a eleição torna-se uma sangrenta disputa por poder envolvendo compra de membros, envolvimento policial e uma briga ferrenha para encontrar um bastão que representa a liderança do poder dentro do grupo.
Big D é daqueles sujeitos estourados, que conseguem tudo na base da força e da violência. Lok é mais reservado, estrategista. Enquanto a reunião que decide a eleição acontece, a guerra entre os dois candidatos toma as ruas da cidade, a polícia é obrigada a agir e prender os chefes da máfia. Pouco importa, quem vai presidir pelos próximos dois anos o grupo é de um valor inestimável para esses dois homens.
É de uma dificuldade tão grande distinguir os personagens que em certa altura da história o melhor a se fazer é desistir e se concentrar apenas nos dois principais, porque no fundo os outros pouco ou nada importam. Johnny To não consegue emergir os coadjuvantes da trama, são figuras quase decorativas com textos decorados e funcionando apenas para dar sentido à história. Além dessa história do bastão que fica superestimada dentro da trama, então quer dizer que de nada vale a eleição se o bastão cair em outras mãos?
Me desculpe, mas está parecendo mais filme norte-americano, aqueles preocupados com as cenas de ação não importando a baboseira que os personagens apresentem. Só porque é falado em outra língua e com atores orientais não quer dizer nada, tirando a agilidade mencionada de To, não há mais nada de mais interessante. E aquele Big D, que cabeça dura hein?

Lok (Simon Yam) Big D (Tony Leung Ka Fai)

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