Blade Runner

Blade Runner (1982 – EUA) 

Engraçado como se pode criar uma imagem sobre um filme na cabeça, e ela ser tão diferente da realidade. Foi o meu caso com relação a esse clássico da ficção científica, filme cult dos anos 80. Expectativa de um filme frenético, de cenas alucinantes de perseguição e caça aos androides. Que nada, é um filme lento para os padrões do gênero, e que cultua questões filosóficas do tipo: quem somos, de onde viemos? Ridley Scott vinha do sucesso de Alien, mas naufragou nas bilheterias com essa adaptação de um livro de Phillip K. Dick. O tempo o tornaria um filme tão cultuado.

Influências estéticas e previsões futuristas, Deckard (Harrison Ford) é um caçador de androides, uma espécie de policial. Seu estilo de se vestir, referência aos filmes noir da década de 50, rivaliza com o aspecto underground, de submundo, da Los Angeles em 2019. A decadência total das metrópoles superpopuladas, um mundo quase apocalíptico. A chuva torrencial e incessante, moradias esquizofrênicas, a referência a Metrópolis de Fritz Lang é fácil.

A grande sacada, talvez o motivo da adoração ao filme, não está no clima futurista, nem no blade runner quase emotivo de Ford, nem nos efeitos especiais.  O clima sombrio, o pessimismo, ainda que venham amenizados por uma narração em off bem didática, auxiliam no clima que levanta as tantas questões filosóficas. Os androides sobrevivem apenas quatro anos e é isso que eles buscam, aumentar seu tempo de vida. São robôs extremamente humanizados, com sentimentos, sensações e até recordações de infâncias que não viveram. Eles lutam para viver mais, discutem as questões filosóficas já citadas, e aí Rutger Hauer dando seu show, e roubando complementa a cena. No ápice, a câmera é centrada em Hauer, seus olhos azuis, sua cara de desilusão, seu discurso no melhor estilo “penso, logo existo”, é nesse momento que o filme deixa de ser uma simples ficção científica. Não seria certo afirmar entusiasmo pelo filme, mas há em Blade Runner algo mais do que as atuais sci-fi que não passam de meros filmes de ação camuflados por ideias futuristas.

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