Reis e Rainha

Publicado: dezembro 29, 2005 em Cinema
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 Roit et Reine (2004 – FRA) 

Adoro como Arnaud Desplechin constroi uma narrativa toda irregular, um roteiro que parece ter o prazer de se desconstruir o tempo todo, numa teia de flashbacks e alternância entre dois personagens principais, além dessa relação com figuras bíblicas ou místicas que permeiam toda a história, seja nos nomes dos personagens, ou na figura que Nora (Emmanuelle Devos) oferece de presente ao pai.

Ela é a rainha por ordem orbitam os reis que são os homens de sua vida: filho,  pai, maridos; que vive um momento crucial, prestes a se casar novamente, e com o pai em estado terminal. Sua parte da história carrega a parte mais melodramática, e nostálgica, sua relação com seus homens, a dor da perda iminente, as reviravoltas que a levaram amadurecer até ali.

O lado mais tragicômico é de é Ismael (Mathieu Amalric), um de seus ex-maridos, um violinista sofrendo crises existenciais, um homem sempre a beira da ebulição, e a ponto de se preparar para cometer suicídio e acabar internado numa clínica psiquiátrica. Suas vidas correm paralelas, se entrelaçam, tudo depende do momento.

Desplechin opta por filmar Devos de uma maneira tão tenra e ainda assim dúbia: algo entre a fantasia e um quê de maldade, que só uma personagem que pareça tão frágil e tão forte como Nora é para que não parecesse deslocado. Alguém que comete erros e tenta levar sua vida com as ferramentas que a vida lhe disponibiliza. É uma personagem equilibrada, muito ligada a realidade humana, diferente de Ismael que é uma figura raramente possível, de um entusiasmo e um desequilibrio que a atuação estupenda de Amalric oferece o encanto entre suas paranóias e seus desequilíbrios.

Por entre cartas, sessões de terapia, telefonemas ou passeios no museu, o filme é também um conjunto de cenas que discutem aspectos familiares, amorosos ou psicológicos fora de uma lógica narrativa de respostas, mas que também não buscam o poético que é tão comum no cinema. Ao contrário, esse conjunto cria sensações, algum tipo de conexão com a vida humana, que podem variar entre o tedioso ao sublime.

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