Dois Brazucas

Publicado: janeiro 27, 2006 em Uncategorized

Gêmeas (2000)

É gostoso assistir, de vez em quando, uma história de Nelson Rodrigues ser bem contada. E felizmente foi assim que Andrucha Waddigton fez sua estréia no cinema. Gêmeas trata dessa estranha ligação “cósmica” tão discutida entre irmãos gêmeos, essa coisa de sentir o que o outro sente. Marilena e Iara são extremamente diferentes em alguns pontos (uma muita estudiosa e profissional, a outra muito mais preocupada em se divertir), mas as duas mantém um estranho prazer de dividir os namorados sem que estes saibam. Um estranho comportamento dissimulado que transformou aos poucos os pais dela numa pessoa amargurada, desiludida com a vida, os joguinhos arquitetados pelas irmãs corroem a família. Esse ar negativo está muito bem apresentado pela fotografia do filme, pelo jogo de luzes e sombra utilizado dentro da casa.
E tudo começa a se complicar quando Marilena se apaixona verdadeiramente e não quer mais continuar dividindo o namorado, a quebra dessa relação tão íntima entre as duas é quase como uma maldição que trará conseqüências catastróficas. E a figura do pai demonstra-se tão equilibrada a ponto de enxergar a situação e ver o que o futuro ainda reserva para aquela família, o fim anunciado sem possibilidade de conserto. Bom filme, bom trabalho de Andrucha, e mais uma interpretação vibrante de Fernanda Torres.

Deus é Brasileiro (2002)

Deus é um debochado, cansados dos pedidos e inúmeros erros da humanidade, ele decide tirar umas férias e vem para o Brasil atrás de um candidato a santo para cobrir suas férias. Seu guia na peregrinação pelo Brasil atrás do tal candidato é um malandro nordestino que tenta tirar proveito dessa oportunidade única, seu nome: Taoca. Mas como eu afirmei no início, Deus é um debochado e demonstra-se sem dó alguma de deixar Taoca se virar com suas próprias mentiras. Se junta a eles nessa viagem a solitária e sonhadora Madá, que inclusive estou buscando alguma explicação para ela ter entrado nessa história, ainda não encontrei.
Carlos Diegues (Bye Bye Brasil/Orfeu) baseou-se num conto de João Ubaldo Ribeiro, mas ao meu ver faltou humor nesse road movie pelo norte-nordeste brasileiro. É um filme leve, pretensamente divertido, só que possui cenas de nudez desnecessárias, é um conjunto muito heterogêneo e pouco interessante. Engraçado como os três atores estão muito bem em seus papéis, e mesmo assim o filme não funciona, as queixas de Deus com a humanidade e as referências ao livre-arbítrio são de longe o que de interessante há, apesar desse oceano de fantasia e malandragem que Diegues armou e não soube capitanear.

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