O Corte

Publicado: maio 1, 2006 em Uncategorized

(Le Couperet, 2005 – FRA)

Grandes corporações em reestruturação, fusões visando tornarem-se a máxima competitividade, cortes e demissões. Dinâmica de uma época? Desnorteado pelos mais de dois anos desempregado, um executivo do ramo de papel decide eliminar (no sentido literal da palavra) seus maiores concorrentes para um futuro processo seletivo. Devido à freqüência e gravidade do problema, acredito que o tema desemprego poderia ganhar muito mais espaço no cinema atual. Sua recorrência está impregnada nas sociedades, difícil quem não possui um desempregado na família. Mesmo quando Costa-Gavras idealiza um serial-killer, o insere num contexto político-econômico, mantendo assim seu engajamento cinematográfico coerente, dando mais um passo convicto dentro de sua sólida carreira.
O filme apega-se demais ao lado “psicopata” do personagem, prefiro deixar de lado a desenvolver melhor esse aspecto por não haver nada de novo, ao contrário, há muitos outros personagens com característica semelhante, porém bem mais interessantes e melhor resolvidos. Um homem em momento de total desequilíbrio e desespero, perde seus limites morais, o instinto passa a regular sua personalidade, como se matasse por sua sobrevivência.
O que há de interessante é a nova configuração familiar. Primeiro a mulher passa a sustentar a família enquanto o homem é incapaz de cumprir todas as funções domésticas exercidas por ela. Prossegue com a queda do padrão de vida, como possuírem apenas um carro, cancelar tv a cabo e outros confortos que não se inserem no novo orçamento. Chegando na fase mais grave quando os elos familiares ficam balançados, o casamento na corda bamba, a relação com os filhos mais complicada. O incômodo sentimento de incapacidade que o desempregado carrega, sentir-se um fardo, a total falta de perspectivas, a dificuldade de recomeçar (ou continuar).
Costa-Gavras deixa seu recado em pequenos diálogos, trata a ambição e o medo. Todos demonstram o receio do desemprego, as mazelas que marcam essa fase que pode não chegar ao fim, principalmente àqueles que atingiram certa idade e com uma capacidade profissional onde as oportunidades que se encaixariam a seu perfil são raríssimas. O mundo encontra novas formas de crescimento, mas não está se preocupando com os estragos que está deixando pelo caminho.

Música da Semana:

CANDY

(Iggy Pop)

It’s a rainy afternoon In 1990
The big city…geez, it’s been 20 years!
Candy,
You were so fine
Beautiful, beautiful Girl from the north
You burned my heart with a flickering torch
I had a dream that no one else could see
You gave me love for free

Candy Candy Candy
I can’t let you go
All my life you’re haunting me
I loved you so
Candy I can’t let you go
Life is crazy
Candy baby

Yeah, well it hurt me real bad when you left
I’m glad you got out
But I miss you I’ve had a hole in my heart
For so long
I’ve learned to take it and Just smile along
Down on the street
Those men are all the same
I need a love
Not games
Not games

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