Kika

kikaKika (1993 – ESP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O tom humorístico escrachado sempre esteve presente no cinema de Pedro Almodóvar, ultimamente perdeu espaço, porém segue presente. Mas, houve uma fase que seus filmes eram basicamente realizados com essa proposta, um microcosmo de personagens bizarros e situações estranhas (muitas absurdas), que de alguma forma Almodóvar fazia, interagirem, até representarem o impacto pretendido pelo cineasta. No final, em seus filmes amarrava personagens, e situações, de maneira mais do que satisfatória, quando não brilhante. De Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos até Kika, passou por uma fase exclusiva de comédias, que foram descendo, lentamente, ladeira abaixo. Kika marca o filme dessa fase de Almodóvar, a seguir vieram os melhores trabalhos de sua carreira.

Kika segue a mesma cartilha de seus antecessores, porém o roteiro é desastrado, Almodóvar exagerou na dose e  não conseguiu amarrar tudo perfeitamente. Os personagens são pouco interessantes. Kika é quem faz o elo entre eles, uma espécie de pessoa que é sempre enganada por todos, por mais que ela não fosse uma puritana ingênua e correta. Trabalha na tv como maquiadora, começa a namorar um fotógrafo cuja mãe suicidou-se. A trama é cheia daquele recheio rocambolesco que Almodóvar tanto adora, com Kika tendo caso com o padrasto de seu namorado, um escritor cercado por mulheres. Isso, sem falar na apresentadora de tv, com figurino meio retrô, meio cibernético, e a empregada lésbica, e seu irmão (um fugitivo da cadeia, ex-ator pornô).

Essa salada estranha tem apenas coisas interessantes espalhadas, entre alas a crítica ao jornalismo sensacionalista. Tudo por uma notícia, a falta de pudor em invadir privacidades, em expor as pessoas. O outro ponto é o voyeurismo que o cineasta desenvolve de maneira perspicaz, não apenas com câmeras pelas janelas, mas também trazendo o público para dentro desse movimento voyeur, imagens vistas pela fechadura, câmeras posicionadas em vitrôs entre os cômodos da casa, o casal que transa tirando fotos, pena que o voyeurismo acaba inserido no contexto da história de maneira forçada, aquela peça que é martelada por não se encaixar hermeticamente.

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