Mostra – diários # 14

Eu sou um dos adeptos do lema “sem emoção, não tem graça”, e esse último dia foi daqueles, de tudo aconteceu. O pique para assistir vários filmes num mesmo dia já não é mais o mesmo (mas isso só até começar um filme bom nas telas). Comecei cedo, estavam previstas mais quatro sessões, reencontrei o Chico, falamos da repescagem. O Andrews entrou atrasado, sentou em qualquer lugar. Depois da sessão, começou a confusão. A diretora alemã, radicada no Chile, Sarah Moll do média-metragem Os Indesejados chegava ontem para apresentar seu filme e ficaria na casa do Andrews, mas ela passou mal na viagem de ônibus do Rio de Janeiro para cá e foi levada para o Pronto-Socorro (agravante, ela está grávida de dois meses). Não pensamos duas vezes, desistimos da sessão de O Grito das Formigas e começou uma corrida em busca de informações e para qual Pronto-Socorro ela tinha sido levada. Quando conseguimos todas as informações, corremos para buscá-la, nesse exato momento uma chuva torrencial caindo na Augusta, e claro que o carro estava bem longe de onde estávamos, resultado? Totalmente ensopados. Aparentemente Sarah não teve nada demais, então voltamos para deixá-la na casa, e corremos para o próximo filme onde encontraríamos a Mikie. Enquanto isso a Stela saia do trabalho para encontrar a Sarah, ela teria que apresentar a sessão com seu filme. Acabou passando mal de novo, fez questão de apresentar seu filme e foi novamente ao hospital. Como eu não tinha nada a fazer, corri para minha querida Cinemateca a fim de fechar a Mostra. Lá encontrei Edu Aguilar e rimos a beça com as peripécias do garotinho de 4 anos do filme, a idéia era voltar à casa do Andrews pra encontrar com o pessoal, mas Sarah ainda estava no hospital com a Stela, então fui para casa na espera de notícias. Já pronto para dormir chega a mensagem, não foi nada demais, ela está bem. Ufa, o último dia da Mostra foi agitado, felizmente entre mortos e feridos salvaram-se todos!

 

Juventude em Marcha – tinha tudo para ser um grande filme, só que resulta num filme cheio de pose. Há coisas muito bonitas, como a carta lida inúmeras vezes (… beba um bom vinho, e pensa em mim…), a estrutura deixa lacunas demais, e o ritmo tão lento torna a longa duração em momento angustiantes. Um pedreiro de cabo-verde tenta reconstruir sua vida após ter sido deixado por sua última esposa, reaproxima-se de seus filhos e almeja um apartamento onde haja quartos para todos.

Little Red Flowers – todos dizem que o filme é bonitinho, e só. Discordo, o filme é hilário, aconchegante, e também uma gracinha. Trata do dia-a-dia de uma creche (ou algo do gênero), um jardim da infância com crianças de 4-5 anos. A disciplina é linha-dura e os cumprem objetivos (não fazer xixi na cama, vestir-se sozinho) ganhas uma florzinha vermelha. Zhang Yuan consegue retratar fielmente esse mundo infantil, a câmera posicionada na altura deles traz uma visão diferente do comum (muitas vezes só estamos vendo as pernas dos adultos). Entre os temas mais relevantes estão a total inocência (que nós adultos não temos), a dificuldade de se enquadras na disciplina exigida, a revolta, a magia de sonhos. Momento fabuloso quando a obsessão de dois alunos em achar que a professora é um monstro, acaba tomando conta da turma toda.

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