Volver

volverVolver (2006 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Este filme marca muitos retornos que remetem ao título: desde o próprio retorno que o filme trata, há ainda a volta de Pedro Almodóvar filmar na região por onde começou sua vida artística, além do resgate da parceria com algumas de suas atrizes). O mais indireto, porém mais significativo, talvez seja, a volta de Pedro Almodóvar a algumas características contidas em obras mais próximas do seu início. Volver transita com o melhor diálogo entre o início e a fase atual de sua carreira, provando que Almodóvar é o mesmo sujeito, apenas um humano e cineasta mais maduro. Um sublime observador da alma feminina, e a expressa com delicadeza, e humor, capazes de nos hipnotizar, a cada nova cor berrante em cena, a cada nova pequena reviravolta na trama, a cada doçura num olhar.

Estou aqui embasbacando por Penélope Cruz, não por sua beleza escultural e indiscutível, mas também pela naturalidade de sua atuação. É meio complicado de explicar, mas ela pareceu estar um degrau acima da beleza, como se estivesse tão a vontade, mas tão a vontade, que ser linda tornou-se um mero detalhe. Uma heroína e sua antítese, uma mulher comum com todas suas aflições,  dificuldades, medos, e ao mesmo tempo, praticidade, fibra, charme. Poderia gastar dezenas de adjetivos, ainda assim não seria possível expressar, porque Penélope Cruz está linda, linda demais para palavras.

Aí surge Carmem Maura, nesse momento você se esquece que está dentro de um cinema, porque a somatória dessas duas peso-pesados do cinema, nos remete a algo distante daquele espaço físico. Almodóvar praticamente encosta sua câmera nas atrizes, aquele mar de emoções fica enorme aos nossos olhos. Quantas vezes mãe e filha não têm inúmeras contas a acertar? Carmem Maura é quase uma entidade dentro do filme. Que dupla, que espetáculo!

Retornar é sempre complicado, porque o tempo abafa o passado de sentimentos e ressentimentos. O retorno os traz a tona, assim como a morte oferece um retorno imediato das lembranças. Em Volver, há o retorno dessa mãe (que morreu), a nova chance para um acerto de contas com resquícios que estavam hibernando. O voltar nos aproxima da verdade, e com ela a paz que faltava. E dentro disso tudo há a análise interior dessa alma feminina, tantas vezes remoída de frustrações e dores que, para os homens seria pesado demais carregar.

Lembre-se que Almodóvar está dialogando com elementos do início de carreira, então há o suspense, há muito humor (aquele marca-registrada). Há também visões berrantes (principalmente relacionadas a cores e roupas). Delicado, de fino trato com as imagens e com os enquadramentos (alguns fantásticos vistos por cima dos personagens). Almodóvar está por todos os cantos, e a trama e suas reviravoltas apenas servem para explodir com a panela-de-pressão de emoções contidas nessas fabulosas mulheres. E Penélope Cruz canta Carlos Gardel, e aquilo tudo me deixa em nocaute.

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