Time

Publicado: dezembro 15, 2006 em Uncategorized

Time – O Amor Contra a Passagem do Tempo (Shi Gan / Time, 2006 – COR/JAP)

A bem da verdade (da minha verdade), no princípio parecia que Kim Ki-Duk vinha com outra idéia genial, discutir um amor obsessivo, a dimensão do ciúmes, usando metáforas totalmente integradas a todo o simbolismo de seus filmes anteriores, e que ainda conseguiam discutir outras obsessões do mundo contemporâneo. Mais adiante, minha impressão, foi de que o cineasta deixou-se engolir por suas idéias. Então elas estão ali espalhadas, mas chega um momento em que a história caminha em círculos, repete-se numa incansável busca em dialogar com a cena inicial (e os sumiços dos personagens são provavelmente o grande x da questão).
Gosto muito do enfoque de Ki-Duk nos relacionamentos amorosos, o desenvolvimento dessas relações, a visão do diretor me instiga a ternura. Dessa vez trata-se de um amor imensurável, doentio, uma mulher capaz de transformações plásticas em seu rosto, em tentativa descabida de evitar que o namorado enjoasse dela. Claro que há exagero na proposta, essa é a tônica da qual Ki-Duk gosta de trafegar, levar situações ao exagero para provar que elas diminutas são tão absurdas quanto.
Temos um ponto de discussão, as cirurgias plásticas. Há cenas asquerosas, de embrulhar o estômago, o rosto da jovem sendo mutilado como num açougue. Quando as pessoas vão perder essa mania (que infelizmente cresce) de se preocupar exageradamente com a estética, com a beleza pasteurizada que a mídia impõe (ou o público induz a mídia a impor?). Dentro disso há o enfoque nos limites do amor, Seh-hee teme por problemas futuros com o namorado Ji-woo, mesmo linda decide mudar seu rosto, dá início a uma mirabolante história de idas e vindas, encontros e perdas, e muitas cirurgias plásticas.
É nesse ir e vir que Ki-Duk perde a efervescência do que estava planejando. Muitas cenas em separado são adoráveis, as paqueras no café, a tristeza de Ji-woo solitário em casa ou com amigos, os encontros com a garota no barco. Porém, as coisas tomam dimensões exageradas, realmente extrapolam de um jeito em que os sentimentos, e as discussões sobre ciúmes são jogadas a segundo-plano, em detrimento de uma lógica que possa encaixar a foto estilhaçada que abre o filme enquanto uma mulher abre as portas de uma clínica (aliás, as portas criam uma imagem genial de antes e depois, um efeito implacável e dominante).
O que houve é que o cineasta em sua ânsia pela genialidade reduziu os ares de sua obra, porém não deixou de lado suas marcas, e bem ou mal, conseguiu sim levantar importantes questões que sempre merecem ser analisadas, refletidas. Nem tudo que os olhos enxergam nos filmes de Ki-Duk são exatamente o que significam aquelas imagens (obsessão, amor, solidão, ciúmes, são partes do todo). Time não deixa de ser o passar do tempo, forma de aproveitar a vida para poucos, paranóia caótica para muitos.

Seh-hee (Park Ji-Yeon) Ji-woo (Ha Jung-woo)

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