Pink Flamingos

Publicado: dezembro 26, 2006 em Uncategorized

(Pink Flamingos, 1972 – EUA)

Acho que depois de tê-lo assistido, meu conceito de bizarro expandiu-se um pouco. Ainda não tinha visto um conjunto de situações com grau tão alto de bizarrice, praticamente gratuitas. Eu não precisava ter assistido para saber que não é o tipo de filme que me seduz, mas foi com essa experiência que cheguei a algumas conclusões. Uma delas é que sim, há um pequeno público adepto a esse conjunto de imagens e que aprecia estando consciente de sua anormalidade, talvez seja esse o prazer, a total fuga do comportamento regrado que a sociedade teima impor. Quando alguém me disser, você precisa ver o quanto isso é bizarro? Teria a resposta na ponta de língua, você precisa ver John Waters para saber o que é bizarro. Até aqui tinha descoberto uma vertente mais soft do diretor, Pink Flamingos é o filme que o tornou ícone de um público, e transformou o travesti Divine em sua atriz fetiche.
Há duas maneiras de assistir ao filme, uma delas é deliciando-se com as cenas de zoofilia, estupro e outros atentados sexuais. A outra forma é achar aquilo um horror do mau gosto desde o primeiro plano e não ver a hora de acabar. Eu consegui criar uma terceira via, apenas acompanhar tudo sem um pré-julgamento, não tentar entender os propósitos (mesmo que não estivesse gostando). A conclusão principal que cheguei foi que não há propósito algum em o filme ter uma lógica, ou algum fundamento, o espírito é de criar uma grande quantidade de cenas bizarras compondo um painel ultra-crítico aos padrões de comportamento.
Há o casal de seqüestradores que injeta semens em mulheres para engravidá-las e venderem os bebes para casais de lésbicas, há a mamãe que cuida da filha doente mental e faz sexo oral com o filho, e há muito mais. A pergunta não é como uma mente consegue imaginar um conjunto tão doentio de situações, mas como os atores são convencidos de embarcarem nessa viagem e chegarem a cometer atos tão bizarros como a cena final (antologicamente bizarra)? A pergunta foi plagiada de um amigo, mas é a maior interrogação que fica. Pink Flamingos é nojento, é tosco, é sem graça, mas por incrível que pareça é humano, e por isso merece ser filmado.

MÚSICA DA SEMANA:

BACK ON THE CHAIN GANG
(The Pretenders)

I found a picture of you, o-o-oh, o-o-oh
You had hijacked my world at night
To a place in the past we’ve been passed out of, o-o-oh, o-o-oh
Now we’re back in the fight

We’re back on the train, yeah
O-oh, back on the chain gang

Circumstance beyond our control, o-o-oh, o-o-oh
The phone, TV and the news of the world
Got in the house like a pigeon from Hell, o-o-oh, o-o-oh
Threw sand in our eyes and descended like flies

And put us back on the train, yeah
O-oh, back on the chain gang

The powers that be
That force us to live like we do
Bring me to my knees
When I see what they’ve done to you

Well, I’ll die as I stand here today
Knowing that deep in my heart
They’ll fall to ruin one day
For making us part

I found a picture of you, o-o-oh, o-o-oh
Those were the happiest days of my life
Like a break in the battle was your part, o-o-oh, o-o-oh
In the wretched life of a lonely heart

Now I’m back on the train, yeah
O-oh, back on the chain gang

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