20 30 40

Publicado: janeiro 29, 2007 em Uncategorized
20 30 40 (20 30 40, 2004 – CHI)
“Esta música te entristece?” “Não tenho tempo para tristeza.”. Quando uma mulher de quarenta anos, recém divorciada, responde assim com espontaneidade, é hora de muita gente repensar seus conceitos e tirar dali algum ensinamento, algum exemplo de maneiras de se encarar a vida. Estaremos presentes na vida de três mulheres, independentes (de certa forma), em fases distintas de amadurecimento, patinando por seu espaço, buscando encontrar a si mesmas. Sorrindo, sofrendo, refletindo, simplesmente vivendo.
A diretora Sylvia Chang (também uma das protagonistas) cola uma sensação de honestidade e ternura tão forte nas imagens e personagens, que fica difícil não se sentir completamente à vontade, permitindo que o filme flua sorrateiramente. Sim há problemas, uma das histórias engole as demais, aliás, a da mais jovem pede por uma melhor elaboração, enquanto a da fase dos trinta merecia maior espaço. Ainda assim nada que atrapalhe pois Chang traz contemporaneidade tanto nos temas, como na forma de filmar, de maneira com que encontremos diversas mulheres dentro daquelas três. Elas não são resumos de suas gerações, mas representam uma parcela bem significativa das dores e aflições das mulhere moderna.
Xiao Jie sonha ser cantora, o sonho profissional mostra ser pouco fácil, ainda mais com a juventude e seus conflitos, a descoberta sexual, as primeiras paixões e desilusões. A aeromoça Xiang relaciona-se com vários homens, quando seu desejo maior é de encontrar o amor verdadeiro (interessante como num primeiro momento ela parece ser tão decidida e desencanada, e ao aprofundarmos surge a descoberta da desilusão de sua alma, de seus verdadeiros anseios). Lily busca reiniciar sua vida após o divórcio, as dificuldades por sentir-se sozinha, as novas amizades e descobertas de todas as coisas que deixara de fazer (descoberta de que não há idade para divertir-se).
No fundo são mulheres comuns, querendo sucesso profissional, sua independência, querendo respeito, sem deixar de almejar por carinho, amor, compreensão, por um companheiro para todos os momentos. Não importa a idade, os anseios são praticamente os mesmos, a diferença talvez seja a experiência e o amadurecimento para buscá-los. Sylvia Chang não precisa tornar homens como vilões de seu filme, todos os tipos desfilam timidamente pela câmera tão peculiar e de enquadramentos tão convidativos (e pouco usuais). E quase no final do filme, uma cena no piano, do homem só se focaliza as mãos, enquanto a mulher transmite milhões de sentimentos por segundo, se o filme tivesse sido ruim o tempo todo, só de ter o contexto para tornar aquele instante único e representativo, já teria valido. Ternura é pouco para a força daquela imagem que não sai da retina e do coração.

Xiao Jie (Lee Sinje) Xiang (Rene Liu) Lily (Sylvia Chang)

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