Dias de Glória

Publicado: fevereiro 1, 2007 em Uncategorized
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Desde já afirmou que esse filme estará no meu top 10 de 2007, tenho certeza.

Indigènes (2006 – FRA)

A maioria dos textos deverá ser clássico, tal qual a narrativa desse cinemão caprichado e calcado em sua história. Pode-se divergir opiniões, mas os temas, discussões, e estruturas seguirão a mesma cartilha. Se pensarmos na atual disposição (espalhada pelas ruas da França) em se discutir (eufemismo, eu sei) sobre xenofobia, o filme de Rachid Bouchareb torna-se mais que atualizado, diria obrigatório. Estamos falando sim de um filme de guerra, porém acima das lutas e batalhas está a discussão do preconceito racial (e a forma como a França lida e principalmente sempre lidou com suas ex-colônias africanas). Sem falar de um estranho amor a uma pátria que nem é a sua, mas que de tão acostumados a respeitar (a força) desde crianças, passa a invariavelmente ser.

No finalzinho do filme, chegam à Aldeia da Alsácia, uns poucos gatos pingados (soldados). Cansados, exauridos, marcados pela trajetória desgastante da guerra, amigos que se foram, o inimigo que pode estar a espreita quando menos se espera. Aquela não será a única batalha, apenas a que Rachid Bouchareb privilegiará com precisão cirúrgica. Os enquadramentos nos inserem naquelas construções parcialmente demolidas, estamos à espera do exército inimigo que está prestes a atacar, a munição escassa, a quantidade de soldados irrisória, nos resta o medo de não resistir a mais aquele ataque. O suor, o corpo cansado, apreensão, uma seqüência hipnótica, tiros, bazuca, estamos dentro da guerra e ela não é nada gloriosa. Segunda Guerra Mundial, mais de cento e trinta mil soldados são garimpados na Tunísia, Argélia e demais colônias francesas, para lutarem pela libertação da metrópole frente a dominação Nazista (e o governo colaboracionista de Vichy). Esses soldados enfrentam duas batalhas, uma delas é no front, diante dos inimigos armados; a outra é dentro do próprio exército, contra a discriminação dos soldados (e superiores) franceses, contra as diferenças impostas, lutam pela França, porém renegados a uma posição inferior, sofrendo injustiças em todas as esferas, desde a não promoção por merecimento chegando até serem servidos com comida diferenciada.

Não estamos falando dos escravos do século XIX, mas do ano de 1943 e de nativos de países ainda dependentes da França. Tratados com total diferença, lutando por uma causa que não é deles, morrendo pela França. Há uma cena especial de causar frio na espinha, no navio todos os soldados (não importa a nacionalidade) cantando A Marselhesa com fervor, entoando aqueles versos com toda sua garra e fibra, injustiçados e ainda assim dominados por uma estranha fascinação. O elenco é indiscutivelmente fantástico, Abdelkader destaca-se pela rebeldia, pela luta contra injustiças, as discussões por direitos iguais a todos os soldados. Messaoud se apaixona por uma francesa e sonha em casar-se e morar na pátria-mãe. O tolo Said encontra uma chance de se tornar algo melhor do que o inútil que todos pensam ser. Apenas uma pequena mostra da micro-sociedade criada por Bouchareb. Chamados de muçulmanos (num tom de demérito), sempre expostos aos momentos mais delicados das batalhas. E o desfecho disso tudo vem para deixar qualquer um estarrecido (muitos podem achar piegas, eu fiquei completamente arrepiado). Seja pelo gênero, seja pela discussão pertinente, pouca importa o que atrair-te, filmaço imperdível!

Abdelkader (Sami Bouajila) Yassir (Samy Naceri) Said (Jamel Debbouze) Messaoud (Roschdy Zem)

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