O Grande Momento

ograndemomentoO Grande Momento (1958) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinzaImpressionante como Roberto Santos resumiu, de forma tão precisa e elaborada, uma verdade imensamente brasileira. Para muitos, a festa de casamento é o grande momento da vida, o problema são os custos para sua realização.

Divertimos-nos com as peripécias de Zeca (Gianfrancesco Guarnieri), sua noiva Angela (Myriam Pérsia), e a família, na tão aguardada celebração. Buscar o terno, comprar bebidas, escolher o fotógrafo, preparar as malas para a lua-de-mel. Brasileiro sempre deixa as coisas para a última hora. Ainda mais quando não há dinheiro para tantas “extravagâncias”.

Pelo longo e agitado dia dos noivos, Roberto Santos nos apresenta pequenos detalhes, que se mostram tão presentes em nosso cotidiano. Há uma ingenuidade de outras épocas, fruto evidente do Neo-realismo italiano impregnado no filme. Zeca tenta esconder sua situação financeira da noiva, não quer estragar seu grande momento, por isso faz das tripas coração para atender todas as formalidades de uma festa de casamento. Os detalhes de última hora, a falta de cálices para servir um convidado, as eternas brigas entre irmãos, bebida acabando, baixarias. Tudo isso tão brasileiro, esse amadorismo que os ternos e vestidos não escondem. Num momento de stress, e desespero, vende sua bicicleta. Na cena mais linda e poética do filme, Zeca pedala sua última liberdade despedindo-se de sua companheira, a bicicleta.

Paulo Goulart em estado de graça, capaz de construir um personagem repleto de malandragem, em sua bicicletaria suburbana, tomado de requinte e fino trato quando vestido com um terno para o casamento. E se Roberto Santos não tivesse conseguido expor na tela nossa sociedade tal como ela é, ainda assim haveria a sequência final, que pode parecer tão singela e talvez clichê, porém capaz de levantar discussões internas com nossa consciência: até que ponto devemos esconder situações querendo poupar pessoas que amamos. Não estamos sofrendo e criando um problema maior do que ele realmente é? Por outro lado, o medo faz parte da natureza humana.

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