Maria

Publicado: abril 13, 2007 em Uncategorized
Maria (Mary, 2005 – EUA)

Há tantas interpretações possíveis dentro do filme de Abel Ferrara, que a discussão de todos os pontos facilmente resultaria num livro. A força e o impacto das imagens, dos temas; com um simples plano, ou uma frase solta, o cineasta obtém o poder de criar um novo ponto de partida para raciocínios mil. A questão é só dar início à discussão, e será acalorada, pois trata invariavelmente de religião, e a toda hora Ferrara expõe um dos livros que foram retirados da bíblia.

Ficarei com dois, que na verdade resulta num único, temas. A fé e a transformação (a partir da primeira). Três personagens têm suas vidas completamente alteradas, resultado da fé, mesmo que seja a fé dos milhões que podem surgir na realização de um filme polêmico sobre a vida de Jesus. Não importa, não deixa de ser fé, aquele cineasta oportunista e ganancioso não deixa de possuí-la, apenas canaliza-a para um outro plano (e a seqüência dele trancado na sala de projeção, completamente ensandecido é a total comprovação da fé, num momento arrepiante).

Marie era a atriz, do tal filme, a interpretar Maria Madalena. Inclusive começamos ao término das filmagens, quando Marie (tocada por sua própria interpretação e personagem) decide largar tudo e partir para Jerusalém, em busca de sua fé, de uma nova fase espiritual. As visões antagônicas desses dois companheiros de filmagem serão postas frente a frente por um terceiro, o apresentador de TV Theodore Younger. Ele próprio diz não saber se acredita, mas seu programa faz uma ampla discussão (com teólogos e entendidos nas mais diferentes áreas) sobre a vida de Jesus no planeta, sobre o mito e o verídico.

A fé e a transformação de Theodore vem de um momento delicado, o complicado parto de seu filho, o riscos que mãe e filho correm (a vida de ambos na corda bamba). O descrente busca um milagre em si, aquele turbilhão de discussões religiosas torna-se um rodamoinho de indefinições na cabeça daquele homem passando por provações, no mais complicado dos momentos de sua vida (nessas horas descobrimos nosso verdadeiro eu, testamos nossa força interior). O encontro desses três personagens demonstra a verdadeira faceta de cada um. Estamos falando de um filme de transformações, um filme de amor, um filme sobre a descoberta da fé, da verdadeira fé.

Ferrara não está aqui para discutir religião, é dela que surgem os dilemas e discussões, a importância da religião para o cineasta é ser a mola propulsora para essa babel de sentimentos. A mídia não passa ilesa, Ferrara coloca pequenos recados (diretos e certeiros), mas a cerne continua na discussão da fé, e o cume é atingido pela interpretação fora de série de Forest Withaker. Ele é quem passa por maiores transformações, ele é quem sente a necessidade extrema de encontrar o amor, rever conceitos e estabelecer um novo plano para sua vida. Plano espiritual, e principalmente familiar.

Theodore Younger (Forest Withaker) Marie (Juliette Binoche) Tony Childress (Matthew Modine)

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