Maria Antonieta

Marie Antoniette (2006 – EUA) 

Definitivamente identificamos no cinema de Sofia Coppola um mundo próprio, de personagens que dialogam por características comuns. A cineasta trata a melancolia, e a solidão, dessa maneira estritamente particular. Uma singularidade inebriante que a cada filme reconfirma sua abordagem e intensifica sua amplitude. Sofia lida com o assunto que domina, essa solidão da alma feminina, e ao repetir sensações e vazios redistribui energia a seus personagens. Pode-se mudar o país, de época, de idade, são os mesmos males a acometer suas mulheres, o mesmo olhar vago e distante. Diferente de Kar-Wai que lida com a solidão dos corpos e sentimentos, Sofia lida com a solidão da alma.

Quando se decidiu por Marie Antoniette (Kirsten Dunst), não era a biografia que lhe interessava, mas a situação de uma menina estrangeira, e mimada, caindo de pára-quedas em plena corte francesa no século XVIII. O estranhamento dos costumes, a sensação de não pertencer àquele local, o vazio constante. Nesse contexto, a cena de choro, ao se desfazer de seu cãozinho, é somente o primeiro sinal da aspereza e indiferença que a aguardava.

Sofia tem outras predileções, que não abre mão, mesmo num filme de época. A música pop marcante, que até causa estranheza, pelos palácios oferece à menina rica os contrastes do frágil e fútil, ela coberta de seus vestidos e penteados, desfilando pela trilha sonora ativa e empolgante. Por mais estranho, funciona bem, porque Sofia contextualizou sua personagem à época, ainda que transmitindo ares dos males da mulher contemporânea, é uma forma de abraçar sua personagem. Ainda assim, há em sua visão uma espécie de distanciamento. Temos seu melhor nas cenas em que Maria Antonieta cai em si, e permite que seu olhar torne-se espelho da alma. Fora disso, há uma preocupação zombeteira em querer ser pop e atrair melhor o público, e em dado momento Sofia decidiu aproveitar e também transformar aquilo tudo numa biografia. O resultado é uma aceleração incomoda nos fatos, nas cenas, nos cortes. Uma pressa que nos deixa sem ter como respirar, e por cenas que quase nada acrescentarão ao espírito que se criara. O filme sofre dessa inconsistência, guarda pequenas (e boas) doses do melhor de sua diretora, e passa tempo demais se preocupando em estabelecer relação que comprove ao público, a verdadeira importância daquele casamento consumado, do nascimento do herdeiro. Entre a biografia e a personagem, quis se os dois e o resultado final resulta desastrado.

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