Non ou a Vã Glória de Mandar

Publicado: junho 21, 2007 em Uncategorized
(Non ou a Vã Glória de Mandar, 1990 – POR/ESP/FRA)

Manoel de Oliveira é um homem de visão diferenciada, isso é fato. Um bando de soldados prepara-se para mais uma batalha na última guerra colonial que Portugal enfrentou. Enquanto cruzam estradas de terra pela África, um oficial de alta patente narra algumas das maiores derrotas militares de seu país. Uma nação vivendo dos triunfos pelas enciclopédias, já que seus momentos mais triunfais estão séculos atrás, no período das Grandes Navegações.

Primeiro temos as discussões entre os pontos de vista dos soldados, tudo bem que eles têm visões políticas muito acima do normal, o mais importante é a discórdia apontando para os equívocos que os governos portugueses cometeram ao longo dos anos. Depois são inseridas as reconstituições de alguns desses momentos históricos, como a derrota do Rei Sebastião (cujo corpo jamais foi encontrado, nascendo a forte crença no Sebastianismo). Oliveira não está preocupado em reconstituir os momentos de batalha, é a construção mais teatral, repleta de colorido, exageradamente lenta (é verdade).

O filme é por demais lento (uma característica sua), mas aqui o tema roda em círculos e só vai ganhar alguma complexidade maior no momento do término, quando somos ligados ao dia da revolução (momento histórico em que o Salazarimos chegou ao fim em Portugal, na chamada Revolução dos Cravos, talvez o grande momento do país depois desses séculos de perdas). Por isso Oliveira tem essa visão diferenciada, ao escancarar as derrotas (na verdade agradecendo por elas terem ocorrido) no meio da última grande derrota, ele ressurge com o momento de glória do povo português, quando no meio da derrubada do governo, ninguém sabe porque, mas a população carregava botões de cravo pelas ruas.

Oliveira é mais que um pacifista, é um observador que não se fixa apenas nesse seu dom, vai mais além ao colocar o mundo sob sua visão, uma visão diferenciada que não pára um instante de criticar os erros, mais sabe dar voz aos acertos. Poderia ser melhor, mas não deixa de ser uma voz crítica e um belo documento histórico.

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