Mostra SP – os que prometiam tanto

A Via Láctea (2007)

Se você conhece a cidade de São Paulo e consegue assistir ao filme se livrando de todos seus conhecimentos de geografia, então tudo bem. Porque o carro irá passar horas e horas no transito caótico (mas nenhuma distância é tão longe quanto a que o filme tenta provar, e as horas passam e o carro sempre volta a estar na Paulista, será que ninguém vê isso?). Eliminado esse grande absurdo, há um interessante jogo de poesia, música clássica, amor, ruptura, paranóia, medo da perda. Um telefonema, um casal em discussão, o transito que não ajuda, um mar de possibilidades e Lina Chamie brinca com diversas delas. Ciúmes, desespero, morte, apenas exagero, qual será o destino dessa relação? Alice Braga mais linda e encantadora do que nunca, já o filme nem tanto.

El Outro (El Outro , 2007 – ARG)

Uma notícia inesperada surpreende Juan que parte transtornado a uma viagem de negócios. Com medo, cheio de receios, ele descobre uma forma de escapar momentaneamente do que o destino lhe propõe (trocando sua identidade). Sendo outra pessoa ele passa a ter outros comportamentos e para o cineasta Ariel Rotter essa pequena mudança é praticamente um bálsamo porque diversas fascinante aventuras passam a persegui-lo. Bom, esse é o espírito que Rotter almejava, porque o filme não passa de um conjunto de cenas onde Juan atravessa a rua, ou veste uma camisa, ou então pára sentado na cama, um desperdício de filme, e do nosso tempo, para então ele voltar pronto para enfrentar sua vida tal como ela é.

En La Ciudad de Sylvia (En La Ciudad de Sylvia, 2007 – ESP/FRA)

Praticamente um trabalho de arquiteto, José Luis Guerín realiza um dos trabalhos mais meticulosos, com planos devidamente pensados e um jogo minimalista de imagens. Um jovem sentado num café, ele apenas observa, as mesas ao seu redor ocupadas das mais diversas pessoas (casais, grupos de amigos). O termo voyeur jamais fora tão bem empregado. Num caderno o rapaz rascunha alguns desenhos, algumas imagens que sua íris focava. Ele está a procura de um rosto feminino, uma lembrança, um amor, parece tê-la encontrado e começa uma tímida perseguição até a coragem de interceptá-la. Até aí corria muito bem, por mais que o conjunto de situações observadas no café beirassem ao pedante (aquele casal em silêncio que muito depois o homem solta um “não” e o repete, duas, três vezes, é das coisas mais “artísticas” evazivas e desperdiçadas que se tem notícia). Guerín fazia um trabalho intrigante, um jogo de imagens hipnótico, mas quando seu roteiro chega no ápice, ele decide recolher suas coisas e desistir, então o filme passa a se desconstruir e andar para trás (como aquele garoto que leva a bola embora no melhor momento do jogo porque sua mãe lhe chamou para a lição de casa). Incontestável aos que procuram certo tipo de cinema que o filme de Guerín é daqueles a apresentar todas as virtudes possíveis, mas não passa de um belo jogo de imagens quase em formato matemático, sem um conteúdo receptivo.

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