Sangue Negro

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There Will Be Blood (2007 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

A ambição como objetivo de vida, único intuito de viver. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis espetacular, novamente) é um prospector. Ele trabalha arduamente em seu ofício de fazer jorrar petróleo EUA à fora. Quer fazer fortuna, para quê? Para depois fazer mais fortuna, e então ficar mais rico. Segundo suas próprias palavras, ele odeia pessoas, não mantém vínculos, não sabe o que é amar, não há mulheres em sua vida. Uma vida de ambição.

De outro lado há o jovem pastor, que num primeiro momento pode parecer justo e correto, para adiante mostrar que sua ambição é tal qual a de Plainview (só é mais amistoso com as pessoas). No frigir dos ovos os dois passam como tratores sob todos aqueles que se opõe (ou de alguma forma atrapalham suas ambições).

Não há falas nos primeiros quinze, talvez vinte minutos (apenas um grito de “não”). Paul Thomas Anderson desde este início demonstra todo o virtuosismo de sua direção, seja pela magnífica forma de nos mergulhar nos primórdios da extração do petróleo (e todo o seu processo manual, asqueroso, pegajoso), seja pela habilidade em unir todos os elementos técnicos num resultado deslumbrante (principalmente a fotografia e a trilha sonora do baterista do Radiohead que funciona perfeitamente com a aridez da paisagem, com as torres de petróleo em chamas, com a frieza do protagonista).

Se nos envolvemos com a história épica do desenvolvimento da extração do ouro negro, a grande motivação de Sangue Negro é Daniel Plainview e sua ânsia incessante, sua loucura desenfreada, sua visão capitalista ultrapassando os limites do lado profissional. É como se Plainview não tivesse uma vida profissional e pessoal que pudessem ser separadas, ele fez uma opção e como toda escolha radical o obriga a viver as conseqüências. E estas vão além do distanciamento da sociedade, para uma tênue relação entre o sangue e o petróleo.

 

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Um comentário sobre “Sangue Negro

  1. PTA vem construindo uma brilhante carreira. Espero que não leve tanto tempo para ser devidamente reconhecido, como aconteceu com os Coen e Scorsese, só para ficar nos mais recentes.Abração.

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