Diários da Mostra # 3

Domingo de algumas decepções, principalmente vindas da Itália. O dia parecia bem calmo, com tempo de encontrar o pessoal que almoçava na Augusta e partirmos (no limite do horário é claro) para a primeira sessão, e o filme deu problema na legenda, na parte final praticamente não funcionou.

Depois sair correndo e encontrar pelo caminho um amigo da Mikie, que louco como eu, também saiu de férias) e com dez minutos de atraso, entrar no saguão do Espaço Unibanco, e Syl e Andressa assustadas porque ainda não estávamos lá dentro. Então chega aquele quarteto correndo e o senhor que tinha quatro lugares vagos ao seu lado desiste de sentar-se conosco (haha, não sabe o que perdeu). Depois me separo e parto para os italianos, no primeiro esqueci um chocolate no bolso (meu amigo Carrard que declarou um boicote à Mostra diria: Eu já sabia) e ele derreteu, imagine a meleca. E na última sessão acontece de tudo (inclusive encontrar o amigo Chico Fireman pela fila).

Havia três poltronas marcadas como reservadas e havia um senhor solitário que queria conversar, e todas as pessoas que entravam na sala olhavam para aquelas poltronas e desanimadas procuravam outro lugar e o senhor encontrou ali subterfúgio para livrar-se de sua solidão com a repetitiva frase “mas você sabe que não pode fazer isso, né. Você não acha?”. E ninguém dava bola e ele repetia e repetia, até que finalmente as luzes se apagaram, quinze, vinte pessoas se amontoavam pelas escadas encontrando uma posição melhor (e isso que me deixa com a adrenalina a mil, essa paixão que tanta gente, como eu, têm. Essa vontade de ver o filme na Mostra porque tem um gostinho diferente, porque quando você responde se viu tal filme, você acrescenta que viu, na Mostra) e o senhor fica de pé gritando “ai meu Deus, cãibra, desculpe gente isso é coisa velho” E ele resmungava e alguns disfarçavam, outros como eu riam, e abertura (deste ano me dá tonturas) começando e ele lá tampando a visa do povo que estava no chão, resmungando, dando seu showzinho, e foi só aparecem os créditos que ele sentou e ficou tão calminho que dormiu de roncar, mas roncar alto, e deixar o corpo mais de metade do corpo debruçado para fora da poltrona. E não era só isso, lá pelo meio não sai confusão, empurra-empurra e se não fossem alguns para acalmarem os ânimos e tinham saído as vias de fato, vai entender o motivo, talvez estivessem a flor da pele com a Camorra que aparecia na tela.
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Estranhos (Strangers) – finais da Copa do Mundo da Alemanha, parece que todo mundo queria estar em Berlim. Eyal e Rana sentam-se frente a frente no metrô, rola atração, cada um pega sua mochila e vai embora. Quer dizer, quase isso, mochilas idênticas, reencontro, falta de hotéis na cidade, um dia juntos, paixão. Nessa primeira fase o amadorismo, a câmera na mão, tudo trabalha ao favor do clima romântico e os diretores Erez Tadmor e Guy Nattiv se utulizam muito bem de Berlim e da Copa, jogos no telão, a cidade em clima de festa, o romance que surge naturalmente. Porém, amor entre um israelense e uma palestina nunca é fácil, ainda mais ele que parece tão ligado aos acontecimentos trágicos noticiados diariamente. A segunda fase acontece em Paris, onde mora Rana que foi obrigada a encurtar a viagem, só que o apaixonado Eyal corre atrás dela. Fim do conto de fadas e a vida real tem seus problemas, as dificuldades, os segredos, e as complicações da vida moderna aproxima e afasta os dois estranhos apaixonados.
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Love Life (Liebes Leben) – Você trocaria uma vida estável (casamento, emprego), por uma estranha atração por um homem mais velho? Pois bem, o pouco provável acontece na vida de Jara. Ao visitar a mãe doente ela conhece rapidamente um enigmático velho amigo da família. Meio envergonhada, ou seria, incomodada, eles trocam meia dúzia de palavras. O bastante por ser tomada por um desejo, uma atração avassaladora, que lhe toma o corpo e parece muito mais forte do que ela possa controlar. E se humilha, joga tudo ao alto e entrega-se aos caprichos e prazeres de um homem entediado, que usa de seus joguinhos para tornar a vida um pouco mais divertida. O filme de Maria Schrader não nos parece crível, Jara não é movida por amor, mas por uma estranha sensação de atração que ela mesma parece desconhecer os motivos, humilhada, abusada, ignorada. Ninguém chegaria aos limites, mentiras insossas e mal elaboradas, para depois encontrar respostas para tudo, a vida não é feita assim de finais felizes sem marcas, mágoas e ressentimentos. É no passado, e na relação dos pais que encontramos o maior atrativo, decisões, incertezas, angústias que marcaram as vidas há mais de trinta anos.

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