Diários da Mostra # 8

Nos últimos dias ninguém caiu, ninguém brigou no meio do filme, nada de emocionante aconteceu além de ver filmes, então vamos a eles:
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Nascidos em 68 (Nes em 68) – a pretensão dos diretores Olivier Ducastel e Jacques Martineau era de resumir o mundo político francês desde os acontecimentos de maio de 1968 até os dias atuais, e por abordarem quarenta anos de vida política, o filme, conseqüentemente, seria longo. A primeira parte é fabulosa, os estudantes dividindo-se entre manifestações e pregações do amor livre, o clima simpático e aventureiro condiz com as aspirações de uma juventude engajada. Hervé, Yves e Catherine mantinham um relacionamento a três, até quando resolvem fundar uma comunidade hippie e viver numa chácara numa pequena cidade. Na fase de amadurecimento cada um toma seu destino, suas escolhas, e o sonho de viver numa comunidade igualitária, trabalhar apenas para sua subsistência e viver entre amigos entre festas, música, diversões e sexo, naufraga lentamente em cada um. Filhos nascem, crescem, outros partem para lutar armada, há aqueles que apenas desistem e entregam-se ao sistema, os que jamais deixam o discurso panfletário sem fazer nada mudar. Aqueles jovens revolucionários são adultos e agora seus filhos são os jovens, na vida política é Miterrand quem se elege trazendo esperança, a AIDS chega como um rolo compressor, o muro de Berlim cai para virar história e descobrimos que entre ideais e possibilidades, são poucos os que têm coragem para seguir adiante em sua consciência. Nessa segunda fase a política não passa de discussão de bar, entre Miterrand, Chirac, até a eleição de Sarkozy, o filme deixa de lado tudo que pregava para somente não deixar passar em brancos tais acontecimentos. O roteiro dos cineastas está mais preocupado em fechar o destino de cada um dos personagens em cenas com algum peso melodramático, perdeu-se a política, perdeu-se a luta pela causa, também aqueles revolucionários já passaram da casa dos cinqüenta anos, aprenderam que muitas coisas não vão mudar nunca. Quase no fim, uma linda cena, Yves e sua esposa no sofá da sala, duas taças de vinho, carícias, namoram como dois adolescentes, tanto que se passou, tantos que já se foram, muito sofrimento, muita desilusão, mas ainda há amor, a chama nunca pode se apagar.
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O Silêncio de Lorna (Le Silence de Lorna) – Lorna casou-se por encomenda com um viciado belga, ela tenta conseguir cidadania para abrir uma lanchonete com seu namorado. Os dois atuam junto a uma quadrilha de albaneses que casam e descasam pessoas, apenas para regularizar documentações. Jérémie não sabe mais o que fazer para se livrar das drogas, magrelo, praticamente desesperado, pede ajuda a sua esposa “arranjada”. A relação é totalmente comercial, e os Dardenne gostam de narrar lentamente, exercitando seu estilo próprio, um roteiro de poucas informações. Assim, o filme fica nisso, os planos da quadrilha para Lorna, sua relação com o namorado e o grau de humanidade que ela usa para ajudar Jérémie de alguma forma. Os desdobramentos levam ao título também a um desequilíbrio de Lorna, e os Dardenne fazem tudo soar convincente, bonito, triste, e tudo numa frieza que jamais nos comoverá.

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