Caro Diário

Publicado: outubro 4, 2009 em Uncategorized

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Caro Diario (1993 – ITA/FRA)
Soando falsa-e-propositadamente despretensioso, o diário de Nanni Moretti aproxima-se muito mais de sua figura pública que ele deseja catapultar como um cineasta moderno e amplamente crítico da sociedade italiana, proprietário de um humor sagaz e corrosivo, do que propriamente a mera representação de um personagem seguindo suas memórias e expondo seus íntimos pensamentos como o formato de leitura de um diário deveria remeter. Um tom quase documental, uma verborragia sarcástica para exprimir seus conceitos, Moretti brinca com Roma, seus moradores e suas construções. Com sua lambreta cruza ruas, passa pelo local onde Pasolini morreu, debocha de falas no cinema. As duas primeiras partes se parecem com um diário de viagem, com certa predileção ao imperialismo ianque, a influência americana sob os ocidentais. Temos Hollywood (personificado na figura da atriz de Flashdance) temos os gritos para atualizar o amigo que está no alto de um vulcão sobre os últimos capítulos da novela. Momento inesquecível é a chegada e fuga repentina em uma ilha paradisíaca ao conhecerem as mulheres que vieram lhes recepcionar (Moretti e seu amigo). Depois de discutir a Itália (sociedade, classes sociais, o cotidiano e as influencias), Moretti mira na classe dos médicos, sua procura incessante pela cura de uma coceira que o perturba é flagrante para o descaso em consultas e tratamentos que muitos médicos oferecem a seus pacientes. Lentamente o paciente se entrega a doença e a uma maratona de novas visitas a outros especialistas e uma infinidade de medicamentos e princípios ativos. Destaca-se o clamor da vaidade entre a classe médica, melhor receitar algo completamente avesso do que um companheiro de profissão medicou a investigar e encontrar no simples a solução do paciente.

comentários
  1. Você deveria ser contratado pra fazer sinopses. Os leitores agradeceriam!

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  2. michel disse:

    Valeu Flavia Helena, mas não chega a tanto não rss

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  3. Eduardo Aguilar disse:

    Grande Michel! Saudades de nossos papos cinéfilos…
    Bom, o texto está ótimo, mas corrija aí, não é Antonioni e sim, Pasolini. No meu modo de entender, é a mais bela homenagem ao gde cineasta italiano, na tentativa de entender a barbárie q. envolveu a morte de Pasolini, Nani e sua lambreta vagam nas proximidades do local sem encontrar explicação, apenas desolação! E caso vc. não saíba, o episódio médico é baseado em fatos verídicos, Nanni teve cancer de pele e passou por toda aquela via crucis de médicos, inclusive o princípe dos dermatologistas e q. se diz fã de Nanni -rsrs-

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  4. Michel disse:

    Grande Edu, transmissão de pensamento, nã sei pq lembrei várias vezes de vc esses dias. Saudades mesmo das nossas conversas cinefilas e tudo mais. Como vai a vida de papai?
    Bom, deu p/ ver q fui traído pela memória e troquei os diretores, valeu pela observação. Não sabia q era veridico o lance dos remedios.
    abraço,

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