Diários da Mostra #5

Publicado: novembro 3, 2009 em Uncategorized

Este ano foi impossível, filmes demais e tempo de menos, não deu tempo de escrever para o blog, nem de dormir razoavelmente, muito menos de comer como se deve. Foram muitos filmes até aqui e só agora (no finalzinho da maratona) que consigo retomar as atualizações do blog. E impressionante mas este ano não há grandes histórias para contar, eventos engraçados e tudo mais, está sendo uma edição para ver filmes e estar com os amigos, e felizmente com muitos e ótimos amigos. E vamos que vamos porque hoje tem mais.
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Jogos do Leste (Eastern Plays, 2009 – BUL)
Kamen Kalev traz à voga a falta de perspectiva da juventude em Sófia, resultado da reconstrução após o fim do socialismo, de mais um país reencontrando-se política-e-socialmente. Nesse contexto surge a história dos dois irmãos em lados opostos de um ato criminoso isolado, de puro preconceito, com turistas turcos. O ataque do grupo de delinqüentes neonazistas alerta Itso (Christo Christov) sobre as escolhas perigosas do irmão Georgi (Ovanes Torosian) enquanto o aproxima da linda Isil (Saadet Aksoy) filha do homem atacado. Além do apelo à violência, e de um despertar de uma vida moribunda por um flerte, o filme de Kalev não engrena além, são tomadas evasivas (tal qual a vida daqueles personagens perdidos, isolados dentro de si próprios, completamente mergulhados na falta de perspectiva.
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Independência (Independencia, 2009 – FIL/FRA/ALE/HOL)
Impressiona a força do filme de Raya Martin partindo de uma fagulha de história (e principalmente de toda uma estrutura extremamente rudimentar), tratando da independência das Filipinas da invasão americana de maneira trágica e pouco interessada nas grandes movimentações políticas. Enquanto a guerra ecoa no inicio do século XX, uma senhora e seu filho fogem para o campo, refugiam-se. O filme trata dessa vida elementar, simples, o sobreviver da natureza, até o ponto em que o garoto resgata uma jovem (sem comparações, mas apenas como ilustração Martin faz o seu Lagoa Azul, e o faz de maneira densa, forte e consistente) e a traz para casa. Vivem como casal, constituem família e vivem à margem do que se passa no país, um isolamento marcado por um leve grau de tristeza e fadados ao que a mãe-natureza os reservar.
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Patrik 1,5 (Patrik 1,5, 2008 – SUE)
Não tem como descolar o rótulo “sessão da tarde” e ir além relembrando que só não faria parte da programação da Globo por ter o foco num casal gay almejando a adoção. Ella Lemhagen exagera no conto de fadas (o bairro para onde se muda o casal parece vindo de Alice no País das Maravilhas) de casas lindas, de vizinhos sorridentes, por outro lado não esquece do preconceito, das dificuldades em serem aceitos e todos os clichês (necessários). O filme trafega entre estes dois mundos: da fantasia perfeita e da premeditação dos que irá ocorrer. Ainda assim a leveza dos personagens, as mutações de comportamento, todos esses movimentos encantam com singeleza, com um ar fraternal que estabelece sincronia nesse mundo “quase” perfeito proposta por Lemhagen. Agora, só por um momento, coloque-se na situação do filme. O sonho de adotar uma criança, uma pequena confusão e o bebe esperado chega na pele de um marginal de quinze anos, é para deixar qualquer um louco.
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O Rei do Ping-Pong (Ping-pongkingen / King of Ping-Pong, 2008 – SUE)
Aparências para um drama indie, algo como um garoto gordinho renegado pelos amigos, triste e solitário, com problemas familiares. No caso Rillie (Jerry Johansson) tem 16 anos e só não se enquadra nesse estereótipo quando está na sala de ping-pong. Já seu irmão com 13 anos, Erik (Hampus Johansson) é o popular e aventureiro, exatamente o oposto. Depois seremos apresentados à família incluindo o pai alcoólatra, e a mãe cabeleira que agora vive com um daqueles velhos calmos e chatos que quanto mais tentam agradar crianças, menos sucesso conseguem. Eis que surge a virada na história, essas artimanhas de roteiros que só quem criou para ver graça, e o diretor Jens Johsson dá inicio a uma espécie de thriller após a descoberta que os irmãos não são filhos do mesmo pai. Daí em diante o filme descamba para um fim tão grotesco que nem a graça daquele garoto gordinho e ingênuo, nem a paisagem coberta de neve conseguem conter.

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